O publicitário Roberto Justus, 49 anos, garante não saber o que é o estresse e a angústia de um processo de seleção para conseguir um emprego. “Nunca passei por isso. Sempre fui patrão, porque comecei com minha própria empresa. Mas já fiz vários processos seletivos”, conta ele. A partir de hoje, às 22h, na Record, Justus vai ter o poder de decidir qual dos 16 participantes de O Aprendiz – escolhidos entre 30 mil inscritos – vai levar o prêmio do reality show: um emprego de um ano com o salário total de R$ 250 mil em uma das empresas do grupo de comunicação NewComm, do qual o publicitário é o presidente.
O programa é a versão nacional de The Apprentice, comandado pelo todo-poderoso empresário americano Donald Trump, que já grava a terceira temporada para o canal People + Arts (Net/TVA). Justus foi à Nova York ver uma gravação do original e ficou 40 minutos conversando com Trump. “Ele disse que pelo meu perfil achava que o programa ia fazer sucesso. E me aconselhou a ser eu mesmo”, orgulha-se Justus.
O publicitário não acha estranho dar emprego a um candidato escolhido por uma programa de TV, nem que ele provavelmente tenha um quê de exibicionismo. Apesar de o salário do ganhador ser pago pelo patrocinador e não pela empresa dele. “São todos contratáveis e alguns até já têm emprego, só que querem mudar. Na área da comunicação, é bom ter gente extrovertida”, garante ele.
Exibido toda terça e quinta-feira e gravado num hotel de luxo em São Paulo, os participantes de O Aprendiz terão que cumprir tarefas e serão avaliados a cada programa. Entre os quesitos, estão a capacidade de liderança e trabalho em grupo, venda, administrativa, de fazer promoções, marketing e cuidar de finanças. “É uma entrevista para um emprego de alto nível que não dá para fazer na vida real, porque os candidatos vão fazer várias provas durante os 15 programas”, conta o publicitário.
Parte das grandes contratações da Record, que incluíram Tom Cavalcante e Márcio Garcia – que vão mal de ibope tanto no Show do Tom, que já sofreu reformulações, como no reality show Sem Saída –, Justus diz que não vai se preocupar com audiência. “A Record me deu a garantia que a decisão final de demissão é minha, não importa o ibope. Vou escolher quem tiver o melhor perfil para minha empresa”, bate o martelo.
O publicitário também garante que não vai ficar com todo o cachê do programa. “Quero doar parte para instituições que ajudem na inclusão social de deficientes físicos. Mas ainda não sei quais”, diz ele.