Aprimeira banda brasiliense a ganhar a simpatia do público e (depois do Leões de Judah) responsável por abrir mercado para o reggae local, Maskavo, dá seu grito de independência no CD O Som Que Vem da Luz do Sol, que chega às prateleiras pelo selo Deja Records e com distribuição da Unimar Music. Trata-se do sétimo álbum da banda e quarto desde 1999, quando o Maskavo inaugurou nova fase sem o sobrenome Roots (batizado em 93). “É o primeiro disco sem gravadora por uma tendência do mercado. São 11 músicas que, pela primeira vez, foram escolhidas em unanimidade pela banda”, justifica o baixista Bruno.
As raízes (se traduzido o verbete roots para o português) foram abandonadas em 99 – discretamente a banda se tornou mais pop, característica clara no novo disco – e o reggae do Maskavo toma, hoje, proporções “além de mera imitação de uma batida jamaicana”, como descreve Bruno. “O reggae tem a ver com sentimento. Queremos transferir para o público algo que possa fazê-lo lembrar de alguma coisa ou algum momento”, diz. “A gente tenta fazer soar como se fosse um sonho, que era exatamente aquilo que a gravadora pedia para não fazer”, completa.
Essa tendência se apóia nas próprias letras do primeiro trabalho independente. “O que foi escrito são as histórias verdadeiras por trás desses sentimentos, que aconteceram com os integrantes da banda nos últimos três anos”, emenda. O músico ressalta que o CD tem uma cronologia de canções da primeira à última faixa. “A idéia foi fazer uma história completa, mais próxima do que era um álbum. Queríamos fazer com que as pessoas ouvissem sem pular nenhuma das faixas”, relata.
influênciasO Som Que Vem da Luz do Sol representa um momento criativo do Maskavo, marcado pelas influências latentes nas novas canções desde a Jovem Guarda (destilada na melodia de Singela Canção) até o rock setentista e a música pop dos anos 80 (A Dama da Noite, Pura Criança e Velhos Sinais). “A inspiração vem de Roberto Carlos, mas pegamos um pouco de The Clash e Led Zeppelin”, sublinha.
Uma das novidades do quarteto de Bruno, Marceleza (vocais), Prata (guitarra) e Quim (bateria) são as frases de guitarra-solo na maioria das introduções (a começar pela faixa de abertura, Seus Beijos). Na seqüência, surge a nova canção candidata a hit (tão impactante como o sucesso de Um Anjo no Céu), Dade Dade – melodia fácil ao ponto de fazer o público repetir junto na primeira execução.
O reggae (que pode ser confundido como mero coadjuvante entre os estilos adjacentes absorvidos pelo Maskavo) permeia todo o álbum, contudo, é mais valorizado em algumas canções, como Um Dia Mais Perfeito, Tão Longe e Despreocupado. A essência da banda permanece amesma, com discurso voltado para a garotada e refrões que, no bom sentido, colam na memória.
Hoje residente na capital paulista, o Maskavo promete voltar a Brasília no próximo mês com o show do disco recém-lançado – a última vez que respiraram os ares do Planalto Central foi recentemente, em fevereiro, no Centro Comunitário da UnB. “Vamos chegar de tudo novo: de cenário, iluminação e repertório”, destaca o baixista. A apresentação da banda na capital federal será no dia 11 de junho, numa festa junina que contará com performance do cantor e compositor pernambucano Alceu Valença.
O Som Que Vem da Luz do Sol – Sétimo CD da banda Maskavo (Deja Records/Unimar Music). 11 faixas. Produzido por Beto Machado e a banda. Preço médio: R$ 23,50.