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Realidade inverossímel

Arquivo Geral

24/11/2005 0h00

A”guerrilha urbana” que se passa diariamente nos grandes centros do País – particularmente da capital paulista –, negligenciada pela cobertura da mídia ou mesmo preconceito das classes média e alta, são o alvo do documentário do experiente cineasta carioca Evaldo Mocarzel, À Margem do Concreto, longa-metragem escolhido para ocupar a telona no segundo dia da mostra competitiva em 35 milímetros do 38º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, hoje à noite, no Cine Brasília.

Trata-se do único documentário concorrente na categoria de longa-metragem nesta edição comemorativa dos 40 anos de existência do Festival de Brasília. Apesar disso, deixa o diretor com um certo frio na barriga. “Acredito que é complicado competir com filmes de ficção. O ideal seria ter um outro documentário, mas se você se inscreve para um festival competitivo, tem que aceitar as regras do jogo”, conforma-se.

Diante do páreo duro – no qual enfrentará veteranos, como Ruy Guerra e Edgar Navarro, e possíveis surpresas, como Incuráveis, de Gustavo Acioli; Depois Daquele Baile, de Roberto Bomtempo; e A Concepção, de José Eduardo Belmonte – Mocarzel entende que ser selecionado para concorrer ao Candango já é, em si, um prêmio. “Só de inéditos, foram 18 longas-metragens inscritos, fiquei muito feliz em ser escolhido. Foi mais difícil do que passar no vestibular de medicina em Cambridge”, comemora.

produção em sérieO diretor aponta sua câmera para a militância dos sem-teto e sua luta diária pela ocupação de moradia neste que é o segundo filme de uma tetralogia de documentários sociais. O projeto começou em 1999, com À Margem da Imagem, um registro humanista da sobrevida dos moradores de rua. O documentário se desdobrou e rendeu uma produção em série. “Agora fiz À Margem do Concreto, sobre os sem-teto, porque eles não quiseram entrar no primeiro filme. Em seguida vem À Margem do Lixo, sobre catadores de papelão; e À Margem do Consumo, que discute o a sociedade consumista a partir do ponto de vista de uma favela de São Paulo”, detalha.

Em À Margem do Concreto, Mocarzel defende as ações do movimento dos sem-teto. “Eles ocupam o imóvel, levam porrada, são obrigados a sair, voltam, adquirem poderes e desenvolvem projetos sociais para fazer cumprir a lei”, argumenta. O cineasta assume o ideal de revestir o movimento dos sem-teto com mais seriedade e chamar atenção para este fato. “Quero legitimar a militância. Procurei humanizar essa luta e criar um espaço de resistência para os sem-teto se defenderem”, emenda.

O diretor mesmo, não toma parte em nenhuma militância, ou partido político. Ele frisa que sua participação é social. “É um filme de utilidade pública. Gosto de humanizar temas sociais e mostrar a inverossimilhança da realidade”, diz o cineasta cuja filmografia contempla o mais recente vencedor do Festival de

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    A”guerrilha urbana” que se passa diariamente nos grandes centros do País – particularmente da capital paulista –, negligenciada pela cobertura da mídia ou mesmo preconceito das classes média e alta, são o alvo do documentário do experiente cineasta carioca Evaldo Mocarzel, À Margem do Concreto, longa-metragem escolhido para ocupar a telona no segundo dia da mostra competitiva em 35 milímetros do 38º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, hoje à noite, no Cine Brasília.

    Trata-se do único documentário concorrente na categoria de longa-metragem nesta edição comemorativa dos 40 anos de existência do Festival de Brasília. Apesar disso, deixa o diretor com um certo frio na barriga. “Acredito que é complicado competir com filmes de ficção. O ideal seria ter um outro documentário, mas se você se inscreve para um festival competitivo, tem que aceitar as regras do jogo”, conforma-se.

    Diante do páreo duro – no qual enfrentará veteranos, como Ruy Guerra e Edgar Navarro, e possíveis surpresas, como Incuráveis, de Gustavo Acioli; Depois Daquele Baile, de Roberto Bomtempo; e A Concepção, de José Eduardo Belmonte – Mocarzel entende que ser selecionado para concorrer ao Candango já é, em si, um prêmio. “Só de inéditos, foram 18 longas-metragens inscritos, fiquei muito feliz em ser escolhido. Foi mais difícil do que passar no vestibular de medicina em Cambridge”, comemora.

    produção em sérieO diretor aponta sua câmera para a militância dos sem-teto e sua luta diária pela ocupação de moradia neste que é o segundo filme de uma tetralogia de documentários sociais. O projeto começou em 1999, com À Margem da Imagem, um registro humanista da sobrevida dos moradores de rua. O documentário se desdobrou e rendeu uma produção em série. “Agora fiz À Margem do Concreto, sobre os sem-teto, porque eles não quiseram entrar no primeiro filme. Em seguida vem À Margem do Lixo, sobre catadores de papelão; e À Margem do Consumo, que discute o a sociedade consumista a partir do ponto de vista de uma favela de São Paulo”, detalha.

    Em À Margem do Concreto, Mocarzel defende as ações do movimento dos sem-teto. “Eles ocupam o imóvel, levam porrada, são obrigados a sair, voltam, adquirem poderes e desenvolvem projetos sociais para fazer cumprir a lei”, argumenta. O cineasta assume o ideal de revestir o movimento dos sem-teto com mais seriedade e chamar atenção para este fato. “Quero legitimar a militância. Procurei humanizar essa luta e criar um espaço de resistência para os sem-teto se defenderem”, emenda.

    O diretor mesmo, não toma parte em nenhuma militância, ou partido político. Ele frisa que sua participação é social. “É um filme de utilidade pública. Gosto de humanizar temas sociais e mostrar a inverossimilhança da realidade”, diz o cineasta cuja filmografia contempla o mais recente vencedor do Festival de

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