Um novo documentário sobre o grupo punk Ramones traz revelações sobre a amizade e os conflitos entre os membros do quarteto novaiorquino que, no início dos anos 70, revolucionou a cena roqueira dos EUA. O filme, intitulado Fim do Século: A História dos Ramones, será exibido hoje, às 17h, no Festival de Cinema do Rio com a pecha de “o filme definitivo sobre a trajetória da banda”, segundo declararam os diretores Jim Fiels e Michael Gramaglia por meio da assessoria da sua produtora, Magnolia Pictures.
O longa-metragem teve lançamento limitado nos Estados Unidos e não tem previsão de estréia em circuito comercial. No entanto, uma coisa é certa: a fita chega às locadoras até o final do próximo ano.
O filme também funciona como homenagem a Johnny Ramone (John Cummings), morto no último 15 de setembro de câncer de próstata. Ele foi o terceiro integrante da banda original a falecer nos passados três anos. As entrevistas francas com o guitarrista, conhecido por ser muito calado, constituem parte importante no documentário.
“A excentricidade dos Ramones era a origem de sua genialidade, mas também limitou suas carreiras”, comentou Fields, que acrescentou: “Acho que eles nasceram infelizes e então encontraram uns aos outros.” Os diretores trabalharam no mesmo espírito “faça-você-mesmo” dos Ramones. Cineastas de primeira viagem, Fields e Gramaglia documentaram durante quase dez anos a saga da banda.
revelaçõesO longa-metragem reúne retratos do grupo, imagens raras dos primeiros shows dos Ramones no CBGB, em Nova York, e apresenta fatos nunca antes conhecidos pelo público sobre a intimidades dos irmãos de punk. A mais espantosa revelação é que, durante 17 dos 22 anos de existência da banda, dois de seus membros fundadores não falaram um com o outro. A briga entre Joey e Johnny era algo tão secreto que amigos íntimos de Johnny procuraram os diretores do filme, após as sessões, para manifestar surpresa.
Fim do Século insere essa situação no contexto da química estranha, mas produtiva dos Ramones. “Tudo de pessoal que tratamos no filme, o fizemos porque estava presente na música deles”, contou Gramaglia. O filme mostra que não faltaram disputas internas que alimentaram a criatividade da banda. Havia a desordem compulsiva de Joey, da qual os entrevistados só falaram livremente após a morte dele, em 2001, de câncer linfático.
Havia ainda a dependência de heroína de DeeDee (Douglas Colvin), que provocou a morte do baixista em 2002, semanas depois de a banda ter sido incluída no Hall da Fama do Rock and Roll. O foco também se volta ao baterista Tommy, hoje o único membro ainda vivo dos quatro originais, que declara sua paixão em trabalhar no quadro de controles do estúdio.