Muitos adolescentes morrem de vergonha de andar sem camisa em função de um probleminha chato, mas que, na maioria dos casos, não demora muito a ser resolvido naturalmente: a ginecomastia, o desenvolvimento do tecido mamário em homens, mais conhecido como “peitinhos”. Mas, o que é que realmente acontece no corpo desses meninos?
Estas mamas de aspecto feminino na fase da puberdade normalmente provocam preconceito e brincadeiras de mau gostos dos amiguinhos. Ao lado da orelha de abano é a disfunção que mais traumatiza os jovens. Por causa dela, os garotos deixam de viver mais intensamente, evitando tirar a camiseta ou ir a lugares públicos.
A ginecomastia pode ser causada por uma alteração hormonal ou pelo acúmulo de gordura. Quando o tecido da região mamária masculina se desenvolve além do normal, ele cresce dando aquele aspecto de seios, como nas meninas. Os “peitinhos” aparecem principalmente quando os hormonios dos garotos estão mudando. As alterações hormonais surpreendem os garotos, mas não devem assustar. Isto porque a ginecomastia pode ser tratada com facilidade e tudo, com um pouco de paciência, volta ao normal.
“A ginecomastia é um problema fisiológico simples, extremamente comum. Mas assusta e incomoda os meninos porque as pessoas acham que só mulheres têm glândulas mamárias”, explica Angela Spinola e Castro, chefe do setor de Endocrinologia Pediátrica da Universidade Federal de São Paulo-Unifesp.
Nos meninos, com os hormônios em intensa ebulição, existe um desquilíbrio do hormônio masculino, a testosterona, e do hormônio feminino, o estrógeno. Daí, surgem os “peitinhos” que, além da vergonha, costuma causar também sensibilidade na região afetada.
Com a idade, porém, segundo afirmou o dr. Alfredo Halpern, profesor de endocrinologia da Universidade de São Paulo, este desequilíbrio desaparece: “O nível de testosterona só vai se normalizar no término da puberdade”.
Existem casos, contudo, que o tempo não resolve. É quando a ginecomastia se manifesta em grau acentuado. Aqui, as glandulas inchadas tendem a se manter por mais de um ano. A solução, recomendada pelos médicos, é então a cirurgia plástica.
O cirurgião plástico Joseph Lee explica que esta cirurgia é simples. O procedimento é feito por meio de uma pequena incisão, que não mede mais do que um centímetro e deixa uma cicatriz quase imperceptível. “Ela é feita com anestesia local, costumo compará-la à retirada de uma verruga”, explica o especialista.
Há quem busque uma complementação cirúrgica. “Lipoaspiração é um procedimento auxiliar no refinamento dos resultados, mas em poucos pacientes pode ser usado como procedimento exclusivo”, explica, por sua vez, o dr. Romeu Fadul Júnior, cirurgião-plástico e pós-graduando da Disciplina de Cirurgia Plástica da Unifesp.