Você alguma vez pensou que estaria fazendo isso aos 80?
(Risos) Não. Nunca apostaria que passaria dos 50. Mas estou feliz de ter chegado até aqui.
O que o mantém fazendo blues até hoje?
Bem, a popularidade tem muito a ver com isso. O blues não está sempre tocando no rádio, como outros gêneros de música. Então, se eu não levo até as pessoas, elas não sabem que estou por aí. Já toquei em 90 países e percebo há muito tempo, que é quando chego a uma cidade que as vendas dos meus discos sobem.
Você previu fazer música por toda a vida? No ano passado, falou que iria se aposentar. Ainda pensa nisso?
Sempre tive a intenção de fazer música enquanto fosse possível e enquanto minha saúde me deixasse. Sou diabético. Fora isso, minha saúde é boa. As pessoas continuam comprando meus discos e indo aos shows. Agora, não quero ir pescar todo o dia e não gostaria de terminar meus dias vendo Hoot Gibson, Roy Rogers e todos esses caras dos filmes antigos, pelos quais eu sou louco. Não poderia fazer isso todo dia. Então, o que resta para fazer?
Você tem algum álbum favorito na sua discografia?
Sim. É um chamado My Kind of Blues. Mas acredito que ninguém, além de mim mesmo, comprou esse disco (risos). Gravei todo ele num dia só, começando umas três da tarde e terminando à meia-noite. Fiz apenas músicas que para mim tinham o sentimento de blues que a gente não acha em qualquer música.
E existe uma canção favorita?
Acho que vou de The Thrill Is Gone, porque se eu for a algum lugar e não tocá-la, provavelmente vou ganhar muitos tomates.
Recentemente, a revista Rolling Stone o colocou como o guitarrista número 3 de todos os tempos, atrás de Jimi Hendrix e Duane Allman. Como você se sente com isso?
Bem, gostei muito, naturalmente. Mas se eles perguntassem para mim, não me colocaria em uma posição tão alta. Teria pensado em Eric Clapton e alguns outros que estão acima de mim. Mas como foram eles que disseram isso, aleluia!