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Quando um não quer e dois vivem brigando

Arquivo Geral

16/10/2004 0h00

Quem quiser ver o melhor de Claudia Raia e tem saudades de sua performance na TV Pirata, humorístico que marcou temporada na Globo nos anos 80, tem um endereço certeiro para este fim de semana: a Sala Villa-Lobos, onde, ao lado de Miguel Falabella, ela literalmente dá o ar da graça atuando em Batalha de Arroz num Ringue Para Dois.

Enxuto, o espetáculo se divide em esquetes caricaturando o cotidiano de um casal que já começou a vida com o pé esquerdo, a partir de uma desastrada cerimônia de casamento. Falabella é Nélio e Claudia é Ângela, mas durante o espetáculo esses dois se desdobram em vários outros – afinal, ninguém é exatamente apenas o que parece, muito menos na convivência a dois.

No palco, os dois vivem esse casal neurótico com total desprendimento, trazendo ao espectador personagens que rapidamente instalam a maior cumplicidade com a platéia. A boa química entre os protagonistas, bem como o talento nato de cada um para a comédia, colaboram para isso.

Falabella é velho conhecido da galera, especialmente por conta do Caco Antibes que compôs para o extinto Sai de Baixo e do qual, aliás, parece não ter a menor intenção de se livrar. O Nélio de Batalha de Arroz tem estreitos laços de parentesco com Caco, assim como o Juca, da novela Agora é que São Elas, que outra coisa não foi senão uma continuação de Caco Antibes e suas aventuras (incluindo a Magda, já que Marisa Orth também aterrissou naquela trama para compor o parzinho com Falabella).

Mas nem isso tira a comicidade do personagem – afinal, Miguel Falabella é muito bom quando escreve humor (o texto é dele) e não deixa a desejar quando interpreta dentro desse gênero. Faz isso com tamanha desenvoltura que até dilui um pouco o tom cansativo imprimido às falas de seu personagem – é sempre o tipo estouradinho, machista e que só escapa de ser insuportável por compor esse perfil com muito humor.

Em determinado trecho da peça, ele dá a impressão de “tomar emprestado” um bordão criado por Cláudia Jimenez na época em que ela era a impagável Edileusa do Sai de Baixo. É quando está falando ao telefone com a sogra, e repete, exaustivamente, aquele “Aah, meu Deus!” que Jimenez, outro talento ímpar para a comédia, imortalizou.

Em todas as esquetes, é Claudia quem mais se desdobra na composição de uma Ângela que tudo faz para manter seu casamento. Quando resolve agir como gueixa, extrapola sua capacidade de fazer o público rir.

Assim, entre uma e outra piadas – a personagem de Claudia Raia é aquela que sempre aparece em “desvantagem”, diante de um marido voluntarioso e tirado a sabe-tudo, mas bem caricaturado –, Batalha de Arroz num Ringue Para Dois transcorre com fluidez.

O destaque é dela, mas a interação não fica comprometida nem pela pouca novidade do perfil do personagem masculino. Divirta-se. De uma forma ou de outra, Ângelas e Nélios são mesmo muito familiares a gente como a gente, no dia-a-dia.

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    16/10/2004 0h00

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    Enxuto, o espetáculo se divide em esquetes caricaturando o cotidiano de um casal que já começou a vida com o pé esquerdo, a partir de uma desastrada cerimônia de casamento. Falabella é Nélio e Claudia é Ângela, mas durante o espetáculo esses dois se desdobram em vários outros – afinal, ninguém é exatamente apenas o que parece, muito menos na convivência a dois.

    No palco, os dois vivem esse casal neurótico com total desprendimento, trazendo ao espectador personagens que rapidamente instalam a maior cumplicidade com a platéia. A boa química entre os protagonistas, bem como o talento nato de cada um para a comédia, colaboram para isso.

    Falabella é velho conhecido da galera, especialmente por conta do Caco Antibes que compôs para o extinto Sai de Baixo e do qual, aliás, parece não ter a menor intenção de se livrar. O Nélio de Batalha de Arroz tem estreitos laços de parentesco com Caco, assim como o Juca, da novela Agora é que São Elas, que outra coisa não foi senão uma continuação de Caco Antibes e suas aventuras (incluindo a Magda, já que Marisa Orth também aterrissou naquela trama para compor o parzinho com Falabella).

    Mas nem isso tira a comicidade do personagem – afinal, Miguel Falabella é muito bom quando escreve humor (o texto é dele) e não deixa a desejar quando interpreta dentro desse gênero. Faz isso com tamanha desenvoltura que até dilui um pouco o tom cansativo imprimido às falas de seu personagem – é sempre o tipo estouradinho, machista e que só escapa de ser insuportável por compor esse perfil com muito humor.

    Em determinado trecho da peça, ele dá a impressão de “tomar emprestado” um bordão criado por Cláudia Jimenez na época em que ela era a impagável Edileusa do Sai de Baixo. É quando está falando ao telefone com a sogra, e repete, exaustivamente, aquele “Aah, meu Deus!” que Jimenez, outro talento ímpar para a comédia, imortalizou.

    Em todas as esquetes, é Claudia quem mais se desdobra na composição de uma Ângela que tudo faz para manter seu casamento. Quando resolve agir como gueixa, extrapola sua capacidade de fazer o público rir.

    Assim, entre uma e outra piadas – a personagem de Claudia Raia é aquela que sempre aparece em “desvantagem”, diante de um marido voluntarioso e tirado a sabe-tudo, mas bem caricaturado –, Batalha de Arroz num Ringue Para Dois transcorre com fluidez.

    O destaque é dela, mas a interação não fica comprometida nem pela pouca novidade do perfil do personagem masculino. Divirta-se. De uma forma ou de outra, Ângelas e Nélios são mesmo muito familiares a gente como a gente, no dia-a-dia.

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