Menu
Promoções

Quando o rap se encontra com o tambor-de-crioula

Arquivo Geral

31/05/2005 0h00

A terceira semana da série Encantadeiras, do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), mergulha mais uma vez no canto arcaico das mulheres do interior do Brasil, porém, desta vez, com um trânsito até os clubes noturnos da urbana capital carioca. O show de hoje – em duas sessões, no Teatro do CCBB – coloca de um lado a tradição do tambor-de-crioula maranhense das Quebradeiras do Coco do Babaçu (formado por trabalhadoras de extração de produtos da palmeira de babaçu e que militam a favor da preservação da natureza) e, de outro, a modernidade do hip hop da DJ carioca Nega Gizza, cuja música está a serviço da denúncia da violência, discriminação social e racismo.

As Quebradeiras de Coco do Babaçu surgiram na região do Baixo Mearim do Maranhão. As operárias das matas formaram-se um grupo musical pela tradição, desde criança, de anunciar sua chegada às fazendas de plantação do coco de babaçu. Ali, elas sob a obrigação de destinar 50% do lucro ao dono do lugar. O canto das quebradeiras passou a funcionar como expressão cultural e refúgio da melancolia – algo como o blues para os escravos dos campos de algodão.

O repertório que o grupo leva das fazendas para os palcos reúne poesias cantadas entorno da valorização do papel da mulher extrativista, de exaltação à natureza e de clamor pela preservação da palmeira do babaçu. Os versos retratam a vida de cerca de 300 mil pessoas que vivem da extração do fruto, das quais 90% são mulheres. No show, elas ainda apresentam o tambor-de-crioula, um ritmo e dança popular e tradicional do Maranhão, mantida pelos descendentes de escravos africanos, mestiços e crioulos.

Na seqüência, o terceiro dia de Encantadeiras, promove o choque cultural do canto à capela das quebradeiras maranhenses com o bate-estaca e discurso afiado de Nega Gizza. Moradora da Favela Parque Esperança, no subúrbio carioca, ela se fez conhecida nacionalmente ao dividir o palco com o rapper e irmão MV Bill, por quem foi adotada desde a morte de seu irmão de sangue.

Socialmente, não existe uma distância muito grande entre o ofício das mulheres do coco do babaçu e Gizza. Desde cedo a rapper se dedica ao trabalho voluntário em rádios comunitárias. Ela foi a primeira locutora oficial de um programa de rap em rádio FM no Brasil. Em 2002 ela conheceu o estrelato após lançar o primeiro álbum da carreira: Venceu o mais importante prêmio de rap da América Latina, o Hutúz, nas categorias melhor demo e melhor solo feminino, pela música Na Humildade.

serviço

Encantadeiras – Show da DJ Nega Gizza e do grupo Quebradeiras de Coco do Babaçu. Hoje, às 13h e 21h, no teatro do Centro Cultural Banco do Brasil (Setor de Clubes Sul, Trecho 2, 310-7087). Ingressos a R$ 15 (inteira), com meia-entrada para estudantes e idosos.

    Você também pode gostar

    Quando o rap se encontra com o tambor-de-crioula

    Arquivo Geral

    31/05/2005 0h00

    A terceira semana da série Encantadeiras, do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), mergulha mais uma vez no canto arcaico das mulheres do interior do Brasil, porém, desta vez, com um trânsito até os clubes noturnos da urbana capital carioca. O show de hoje – em duas sessões, no Teatro do CCBB – coloca de um lado a tradição do tambor-de-crioula maranhense das Quebradeiras do Coco do Babaçu (formado por trabalhadoras de extração de produtos da palmeira de babaçu e que militam a favor da preservação da natureza) e, de outro, a modernidade do hip hop da DJ carioca Nega Gizza, cuja música está a serviço da denúncia da violência, discriminação social e racismo.

    As Quebradeiras de Coco do Babaçu surgiram na região do Baixo Mearim do Maranhão. As operárias das matas formaram-se um grupo musical pela tradição, desde criança, de anunciar sua chegada às fazendas de plantação do coco de babaçu. Ali, elas sob a obrigação de destinar 50% do lucro ao dono do lugar. O canto das quebradeiras passou a funcionar como expressão cultural e refúgio da melancolia – algo como o blues para os escravos dos campos de algodão.

    O repertório que o grupo leva das fazendas para os palcos reúne poesias cantadas entorno da valorização do papel da mulher extrativista, de exaltação à natureza e de clamor pela preservação da palmeira do babaçu. Os versos retratam a vida de cerca de 300 mil pessoas que vivem da extração do fruto, das quais 90% são mulheres. No show, elas ainda apresentam o tambor-de-crioula, um ritmo e dança popular e tradicional do Maranhão, mantida pelos descendentes de escravos africanos, mestiços e crioulos.

    Na seqüência, o terceiro dia de Encantadeiras, promove o choque cultural do canto à capela das quebradeiras maranhenses com o bate-estaca e discurso afiado de Nega Gizza. Moradora da Favela Parque Esperança, no subúrbio carioca, ela se fez conhecida nacionalmente ao dividir o palco com o rapper e irmão MV Bill, por quem foi adotada desde a morte de seu irmão de sangue.

    Socialmente, não existe uma distância muito grande entre o ofício das mulheres do coco do babaçu e Gizza. Desde cedo a rapper se dedica ao trabalho voluntário em rádios comunitárias. Ela foi a primeira locutora oficial de um programa de rap em rádio FM no Brasil. Em 2002 ela conheceu o estrelato após lançar o primeiro álbum da carreira: Venceu o mais importante prêmio de rap da América Latina, o Hutúz, nas categorias melhor demo e melhor solo feminino, pela música Na Humildade.

    serviço

    Encantadeiras – Show da DJ Nega Gizza e do grupo Quebradeiras de Coco do Babaçu. Hoje, às 13h e 21h, no teatro do Centro Cultural Banco do Brasil (Setor de Clubes Sul, Trecho 2, 310-7087). Ingressos a R$ 15 (inteira), com meia-entrada para estudantes e idosos.

      Você também pode gostar

      Assine nossa newsletter e
      mantenha-se bem informado