Muitas pessoas acham que Paulo Leminski é um escritor vivo. Talvez porque seus poemas sejam tão presentes, tão lidos e tão publicados em agendas, cartazes, folhetos de restaurantes e até em cardápios. Mas Paulo Leminski morreu. E há muito tempo, no dia 7 de junho de 1989.
No ano que completaria 60 anos de vida, sai uma nova obra do escritor que mostra uma faceta menos conhecida: a de contista e cronista. É o livro Gozo Fabuloso, da coleção Risco: Ruído, publicada pela DBA Editora.
A obra reúne textos cujos originais ficaram perdidos por vários anos em duas editoras. Alice Ruiz, esposa de Paulo, assina o prefácio em que conta o pensamento do autor sobre o conto, no início dos anos 70. “No final dos anos 60 e no começo dos anos 70, havia em Curitiba um concurso oficial de contos. O Paulo, considerando o conto um texto menor, moveu um pequeno movimento contra a excessiva valorização do gênero pela instituição”, conta ela.
No final, revela como o pensamento dele mudou, com o tempo. A prova são os textos que se seguem nas páginas à frente. Alice Ruiz ajudou a organizar o livro, que reúne 39 contos e crônicas.
Risco: Ruído é uma coleção cujo perfil é perturbador. Segundo a definição da editora, são duas coleções em uma, distintas, mas com características em comum: a coleção Risco e a Ruído. Na Risco entram jovens escritores que estão correndo riscos, que estão arriscando. Na Ruído, a prioridade são autores mortos que deixaram obra provocativa.
Outro livro da coleção que acaba de ser lançado é O Natimorto, de Lourenço Mutarelli. O escritor é velho conhecido dos admiradores de histórias em quadrinhos. Ele é desenhista e recebeu 12 vezes o HQMix, mais importante prêmio do gênero no Brasil. Atualmente, parte de seu trabalho pode ser visto no cinema, no filme Nina, produção nacional cuja personagem principal é uma desenhista.
Sua estréia na literatura foi com o romance O Cheiro do Ralo, lançado em 2002. Em O Natimorto, ele prova que está intimamente ligado às histórias em quadrinhos, mesmo quando se aventura pela arte de escrever. O texto é como o de uma HQ, porém, sem desenhos. Ele é estruturado em formato de diálogo em quase 90% do livro e faz uma sutil crítica à campanha anti-tabagista.
O título do livro, inclusive, refere-se às imagens chocantes dos maços de cigarro, cujo objetivo é frear o fumo. O foco da história é uma divertida história de amor entre uma cantora sem voz e um agente artístico pouco produtivo.