Em Senhora do Destino, o carnavalesco Ubiracy passa grande parte do tempo no barracão da Unidos de Vila São Miguel. Mas Luiz Henrique Nogueira, intérprete do personagem, nunca tinha entrado num barracão na vida real. Convidado pelo jornal carioca Extra, ele foi visitar a Porto da Pedra, no Rio, e conhecer de perto o trabalho do carnavalesco da escola, Alexandre Louzada.
“Para o ator, é importante conhecer a realidade”, lembra Luiz Henrique. “No começo da novela, recebi uma pesquisa grande da produção, mas não tive a oportunidade de ver de perto como funcionam os bastidores de uma escola de samba”. Agora ele já sabe.
No papo com Louzada, o ator quis saber se as atitudes de seu personagem são semelhantes ao que acontece nas escolas: sua relação com o patrono, Giovanni (José Wilker), a amizade com a destaque Nalva (Tânia Kalil) e a preocupação com os custos do Carnaval. “O que é mostrado na novela é bem próximo do real”, comenta Louzada. “A única coisa que destoa é o fato de barracão e quadra serem no mesmo local. Além disso, parece que a Unidos de Vila São Miguel ensaia todo dia!”
No barracão, sob o olhar curioso dos funcionários, Ubiracy, ou melhor, Luiz Henrique, foi apresentado por Louzada como o novo carnavalesco da Porto da Pedra. Mas Bira não pôde aceitar, porque ainda tem muito trabalho pela frente em Vila São Miguel. E afinal, como diria Giová, “o tempo ruge e a Sapucaí é grande”.
A comparação entre o trabalho de Alexandre Louzada e o de Ubiracy foi a tônica do encontro entre carnavalesco e ator. Louzada disse, por exemplo, que o estilo e o jeito de falar do bicheiro Giovanni pode ser reconhecido nos patronos de várias agremiações. Além do mais, a disputa pelo cargo de madrinha de bateria é bastante real.
“É normal que Regininha (Maria Maya) ocupe o posto, já que é namorada do filho do patrono, mas o destaque principal, em vez de Nalva, deveria ser Danielle (Ludmila Dayer), namorada de Giová”, opina Louzada.
“O patrono reluta em colocar Danielle como madrinha da bateria, porque ela não é da comunidade”, explica Luiz Henrique, que questiona: “As pessoas da escola não se sentem desprestigiadas, quando algumas estrelas ocupam postos importantes?”