Em alguns círculos de amizade existe sempre uma pessoa mal-humorada, que tem dificuldade em se relacionar com o resto do mundo e faz o maior carão mesmo quando a vida parece lhe estar sorrindo. Se você tiver alguém assim do seu lado, é possível que ela tenha um problema chamado distimia.
A distimia é uma doença de fundo emocional que atinge cerca de 180 milhões de pessoas no mundo inteiro. Muitos dos afetados aliás não tem consciência do problema. Isto porque os sintomas são bem parecidos com o da depressão.
A diferença é que no caso dos distímicos, a tristeza e o isolamento demoram mais, chegam a durar meses e até mesmo dois anos, no caso dos adultos e um ano, no caso de crianças, sendo que aqui o humor pode se manifestar com uma forte irritação em vez de depressão.
Este estado depressivo crônico costuma se manifestar na adolescência ou, em número menor, na infância. Mas, é na vida adulta que ela revela seus sintomas mais fortes e definitivos.
Existem estudos que mostram que as mulheres têm mais propensão para a enfermidade, ainda que não seja grande a diferença. Segundo estes, os homens apresentam freqüência de 17,2% de distimia, enquanto as mulheres apresentam uma prevalência de 22,9%.
Um das características da distimia é que, no começo, ela é difícil mesmo de ser diagnosticada. Até mesmo para o psiquiatra fica complicado saber se o paciente tem ou não o problema. Isto porque a doença se desenvolve de forma gradual. Só quando se manifesta mais claramente é que pode se ter o diagnóstico preciso.
transtornoO que acontece, assim, é que o transtorno mental só se instala na vida adulta. E aí, a pessoa tende a achar que aquela imensa melancolia e mau humor ocorre em função de uma circunstância na vida, que logo vai passar. Ou seja, nunca imagina que pode ser um problema orgânico e que precisa de tratamento.
Os mal-humorados crônicos devem ficar, aliás, bem atentos aos sintomas. Além da cara amarrada, as reações mais comuns ao transtorno são falta de apetite ou apetite em excesso, insônia, falta de energia, fadiga, auto-estima baixa, dificuldade de se concentrar-se e de tomar decisões, além de um sentimento de desesperança.
Para que se chegue a um diagnóstico correto e sem dúvidas de que a pessoa realmente é distímica, é preciso que se associe dois dos sintomas apresentados na parágrafo anterior com um prolongado sentimento de tristeza, a indesejável depressão.
Alguns comportamentos ajudam a perceber o distímico. Essas pessoas costumam ser perfeccionistas, têm uma auto-estima bem baixa, em contraponto a uma autocrítica elevada. Elas costumam ser intolerantes com o próximo, não perdoam os erros mais comuns, evitam eventos com muitas pessoas, como as festas, pois não conseguem se confraternizar e se relacionar com colegas de trabalho.
Com tudo isso, surge um grande entrave para o distímico, o que o torna ainda mais pessismista e avesso à vida: o isolomento. Tanto mau humor faz com que amigos, namorados e parentes acabem se distanciando.