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Público aplaude de pé o longa de Evaldo Mocarzel

Arquivo Geral

24/11/2008 0h00

Anna Beatriz Lisbôa, da redação do Clicabrasilia


 


A quinta noite da mostra competitiva começou com homenagens, trazendo ao palco o cineasta Nelson Pereira dos Santos, que recebeu o prêmio Candango pela sua contribuição ao cinema nacional. O público aplaudiu de pé o diretor, que já foi premiado em Cannes por Vidas Secas (1963) e Memórias do Cárcere (1984), além de ter levado o troféu Candango de melhor diretor e melhor filme por Tenda dos Milagres (1977).


 


Longa


Um dos longas mais esperados no festival, À Margem do Lixo, de Evaldo Mocarzel é a continuação da proposta iniciada por À Margem da imagem e À Margem do Concreto, que já recebeu o prêmio de Melhor Filme pelo júri popular no Festival de Brasília. O filme é a terceira parte de uma tetralogia e trata da vida de catadores de papel e materiais recicláveis em São Paulo.


 


O diretor explica que o documentário tenta mostrar a indústria da reciclagem, tendo o ponto de vista do catador como foco. Segundo ele, o Brasil é líder na reciclagem de papel alumínio, uma atividade que movimenta cerca de 85 milhões de reais por ano. Apesar da importância econômica dessa indústria, dá-se pouca atenção a um elemento fundamental no processo: o catador.


 


O filme é guiado pelos catadores e seus carrinhos, enquanto o diretor os mostra disputando espaço com os carros no trânsito de São Paulo. Mocarzel decide por um viés político, destacando várias cenas dos catadores em assembléias nas cooperativas.


 


 O diretor recorre à mesma técnica usada no filme anterior, de colher os depoimentos dos personagens enquanto eles assistem a eles mesmos em uma projeção do filme.


 


Embora Mocarzel tenha aprofundando satisfatoriamente a questão política, ele acaba dando menos atenção a outros ângulos do tema, que também poderiam ser desenvolvidos. No mais, o trabalho de fotografia de Gustavo Hadba e André Lavenère é impecável e a montagem de Willem Dias marca o ritmo ideal para o filme. O destaque vai para as seqüências que mostram o material recolhido na rua sendo processado para reciclagem.


 


Curtas


O filme A Minha Maneira de Estar Sozinho, do brasiliense Gustavo Galvão abriu a noite da mostra. A história foca uma noite na vida de Sueco, um rapaz de 20 e poucos anos, pouco entrosado socialmente. O diretor apresentou o filme como sendo “o ponto de vista sobre uma certa juventude de Brasília”. Sueco está numa festa e não consegue interagir com ninguém a não ser Melissa. Com um roteiro fraco, o filme explora a solidão do rapaz de forma rasa e acabou não agradando ao público, que respondeu com vaias.


 


A carioca Duda Gorter subiu ao palco nervosa para apresentar o seu Na Madrugada. Ela descreveu o filme como “delicado e atrevido” e, de fato, são essas as palavras que melhor caracterizam o seu trabalho. Contando com a excelente atuação de Ana Lúcia Torre no papel de Margot, o filme mostra uma madrugada na vida da personagem, enquanto ela lida com lembranças e fantasmas do passado. O que mantém Margot acordada são as recordações de sua amante, vivida por Denise Weinberg.


 


O filme carrega um tom ambíguo, já que o espectador nunca tem certeza se o que se passa acontece de fato ou está na mente de Margot. Além disso, a fotografia sombria e a ênfase em sons noturnos e repetitivos, como o do relógio, reforçam a idéia de devaneio da personagem.


 


O Clicabrasilia pegou opinião de dez pessoas que acompanharam a mostra. Confira abaixo.


 


A Minha Maneira de Estar Sozinho


Ótimo: 0


Bom: 1


Regular: 4


Ruim: 5


 


Na Madrugada


Ótimo: 5


Bom: 3


Regular: 2


Ruim: 0


 


À Margem do Lixo


Ótimo: 5


Bom: 5


Regular: 0


Ruim: 0


 


Serviço


10h, Hotel Nacional, Salão Vermelho Ala B, acesso livre.
Debate com as equipes dos filmes da Mostra Brasília e da Mostra Competitiva 35mm exibidos no dia anterior no Cine Brasília.

14h e 21h30, Embracine CasaPark, Sala 7.
Mostra Competitiva 35mm
Ana Beatriz, de Clarissa Cardoso, 9min, DF
Minami em Close-up, de Thiago Mendonça, 19min, SP
Ñande Guarani (Nós Guarani), de André Luís da Cunha, 76min, DF


14h30, Sala Martins Pena, Teatro Nacional Claudio Santoro, entrada franca.
Mostra Competitiva 16mm e debate
Cidade do Tesouro, de Célio Franceschet, 18min, SP
Cotidiano, de Renato Jevoux, 14min, RJ
Nem Marcha Nem Chouta, de Helvécio Marins Jr., 8min, MG
O Caipira e o Chupa-Cabras, de Joelson Miranda Santos, 12min, GO
O Rapto da Lua, de Fábio Escovedo e Vinicius Pereira, 19min, RJ
Mãe, de Luís Antônio Pereira, 15min, RJ
Mostra Brasília 16mm
Ribeirinho, de Celso Martins e Paulo Nascimento, 15min, DF
O Linhão e o Popota, de Herbert Amaral, 13min, DF
As Fadas da Areia, de João Batista Melo, 15min, DF


14h30, Sala Alberto Nepomuceno, Teatro Nacional Claudio Santoro, acesso livre.
Mostra Petrobras Revelando os Brasis III
Cachorro-Quente Vodu, de Elano Ribeiro Baptista, RJ
Passageiro 1219, de Patrícia Justino Martins da Silva, SP
A Professora em uma Comunidade Alemã, de Irene Reis da Silva, SC
Arte na Ruína, de Wagner San, AC

Mostra Competitiva 35mm
A Minha Maneira de Estar Sozinho, de Gustavo Galvão, 15min, DF
Na Madrugada, de Duda Gorter, 21min, RJ
À Margem do Lixo, de Evaldo Mocarzel, 83min, SP


20h30 e 23h30, Cine Brasília.
Mostra Competitiva 35mm
Cães, de Adler Paz e Moacyr Gramacho, 16min, BA
Superbarroco, de Renata Pinheiro, 16min, PE
Tudo Isto me Parece um Sonho, de Geraldo Sarno, 150min, RJ


20h, Praça do Centro Cultural Itapuã
Festival de Cinema no Gama
Ribeirinho, de Celso Martins e Paulo Nascimento, 15min, DF
O Linhão e o Popota, de Herbert Amaral, 13min, DF
As Fadas da Areia, de João Batista Melo, 15min, DF

20h30 e 23h30, Cine Brasília.
Mostra Competitiva 35mm
Cães, de Adler Paz e Moacyr Gramacho, 16min, BA
Superbarroco, de Renata Pinheiro, 16min, PE
Tudo Isto me Parece um Sonho, de Geraldo Sarno, 150min, RJ

21h, Cinemark Pier 21
Mostra Competitiva 35mm
Brasília (Título Provisório), de J. Procópio, 15min, DF
A Arquitetura do Corpo, de Marcos Pimentel, 21min, MG
Siri-Ará, de Rosemberg Cariry, 90min, CE

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