Décimo terceiro longa-metragem de Carlos Reichenbach, o filme Garotas do ABC – no qual jovens operárias tentam viver com dignidade em meio à extrema violência da periferia – chega aos cinemas depois de calorosíssima recepção nos festivais de Brasília, Tiradentes e pré-estréias abertas ao público.
A ação se passa em São Bernardo, cidade do ABC paulista, em uma região de fábricas têxteis e metalúrgicas, onde um grupo de operárias vive um cotidiano de trabalho intenso, permeado de sonhos e muita violência.
A principal personagem de Garotas do ABC é Aurélia – fã do ator Arnold Schwarzenegger e de homens musculosos em geral. Seus problemas começam quando ela se apaixona perdidamente por Fábio, um encorpado neonazista que integra uma gangue especializada em praticar atentados contra negros, nordestinos e outras minorias.
As outras personagens femininas de Garotas do ABC são as operárias Paula Nélson, que é assediada por um líder sindical e, ao mesmo tempo, tenta manter a harmonia entre as meninas da fábrica; Antuérpia, que aos 38 anos tenta iniciar-se na profissão de tecelã; e a casta Suzana, que é apaixonada pelo patrão e esconde inegável verve masoquista.
Entre os protagonistas masculinos do filme o mais desprezível é Salesiano de Carvalho, líder dos neonazistas e mentor intelectual da série de atentados que seu grupo pratica.
Para o filme, Carlos Reichenbach mobilizou um grande elenco, reunindo nomes consagrados – como Ênio Gonçalves, Vera Mancini, Adriano Stuart, Antônio Pitanga e Selton Mello – e jovens talentos ainda um tanto desconhecidos, como Michelle Valle, Fernando Pavão, Luciele di Camargo, Natália Lorda e Rocco Pitanga.
Para a trilha sonora – em si quase um personagem no filme, já que as tecelãs costumam se divertir no ABC Clube Operário –, o maestro Nelson Ayres criou temas erudito-sinfônicos, choros, boleros e fez uma releitura da música de Marvin Gaye, a preferida das garotas do ABC.