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Prazer não segue receita

Arquivo Geral

24/11/2003 0h00

Se toda unanimidade é burra, como disse Nelson Rodrigues, Filme de Amor, de Julio Bressane, desde já pode sagrar-se a mais inteligente produção do Festival de Cinema. Quando terminou a exibição, aplausos e vaias deram o tom do retorno: a polêmica. A ação é bastante contemplativa e, por vezes, faz dos personagens centrais (Fernando Eiras, Bel Garcia e Josie Antello) bonecos na mão de um ventríloquo onipresente, tamanho o hermetismo dos discursos. Aí se revela o “ponto G” da história: diálogo é o que ocorre na alquimia entre os personagens – e não nas falas, que soam como delírios soltos ao vento, independentemente da sabedoria que venham a transpirar.

Assistir a Filme de Amor pressupõe, portanto, acionar uma “tecla SAP” invisível – como invisível e subjetivo é, na prática, o fio entre o “certo” e o “errado”. Mais proveitoso é atentar à linguagem em sua forma bruta – já que as palavras mentem, mas o corpo, por natureza uma entidade poliglota, jamais. Vendo sob este ângulo, a história é uma bela coreografia sobre as formas que cada um tem de procurar o prazer. O que a muitos soa imoral, a outros representa nada mais do que o sublime. É isso que demarca, sem qualquer hermetismo, a cena final. Mas vá lá que o filme, cheio de imagens eróticas, incomode. Muita gente crê (e é feliz desse jeito) que amor e prazer tenham uma receita universal.

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    Assistir a Filme de Amor pressupõe, portanto, acionar uma “tecla SAP” invisível – como invisível e subjetivo é, na prática, o fio entre o “certo” e o “errado”. Mais proveitoso é atentar à linguagem em sua forma bruta – já que as palavras mentem, mas o corpo, por natureza uma entidade poliglota, jamais. Vendo sob este ângulo, a história é uma bela coreografia sobre as formas que cada um tem de procurar o prazer. O que a muitos soa imoral, a outros representa nada mais do que o sublime. É isso que demarca, sem qualquer hermetismo, a cena final. Mas vá lá que o filme, cheio de imagens eróticas, incomode. Muita gente crê (e é feliz desse jeito) que amor e prazer tenham uma receita universal.

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