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Por uma comédia genuinamente brasileira

Arquivo Geral

30/11/2004 0h00

Fazer comédia não é fácil. O chavão é uma dessas verdades indiscutíveis da sétima arte. Dosar a mão para fugir do ridículo, contar uma piada sem que ela pareça velha ou sem graça, é arte para poucos. Há quem busque se escorar na poesia para chegar a essa comicidade na medida. Sérgio Goldenberg conseguiu isso com Bendito Fruto.

O longa-metragem exibido na mostra competitiva do 37º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, na noite de domingo, se encaixou perfeitamente no dia. Leve e descomplicada, a estréia de Goldenberg veio na contramão da seriedade que tomava conta do festival. Bendito Fruto é um olhar doce sobre o subúrbio carioca, sem tiros, sangue, “mudernices” ou qualquer pretensão de reinventar a roda. Este é, talvez, o grande mérito do filme. Ele quis contar uma história comum com uma clara poética, concentrando-se em sentimentos banais, apimentados pela expontaneidade típica do povo.

A história envolve um cabeleleiro, Edgar (Otávio Augusto) que se relaciona informalmente com Maria (Zezeh Barbosa), a filha negra da ex-empregada da família, mas nega o romance quando precisa hospedar-se na casa de uma amiga (Vera Holtz). Tudo se complica quando o filho de Maria, o bendito fruto, retorna da europa.

Esta história, que tem como pano de fundo um preconceito colonial, é trabalhada com objetividade e sem sentimentalismo. O universo é rodrigueano, poderia gerar uma ótima tragédia, mas Goldenberg impôs-lhe um ar positivamente carioca, bem-humorado, quase nostálgico e, o que é melhor, longe do besteirol.

Esta pequena comédia, arrematada, ao final de tudo, pelo sentimento da redenção, tem ainda o mérito de trazer duas das melhores atuações do festival. Zezeh Cardoso surpreende, com um papel mais sério, a quem está acostumado a vê-la em papéis histriônicos. Otávio Augusto está impagável em sua caracterização de suburbano bon-vivant e é um grande candidato a melhor ator do evento.

Bendito Fruto não é um filme para marcar um festival, mas aponta um belo caminho para aproximar definitivamente a platéia de um cinema genuinamente brasileiro.

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    O longa-metragem exibido na mostra competitiva do 37º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, na noite de domingo, se encaixou perfeitamente no dia. Leve e descomplicada, a estréia de Goldenberg veio na contramão da seriedade que tomava conta do festival. Bendito Fruto é um olhar doce sobre o subúrbio carioca, sem tiros, sangue, “mudernices” ou qualquer pretensão de reinventar a roda. Este é, talvez, o grande mérito do filme. Ele quis contar uma história comum com uma clara poética, concentrando-se em sentimentos banais, apimentados pela expontaneidade típica do povo.

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