Lulu Santos volta à Brasília em um clima oitentista. Trocou a batida eletrônica – marcante em seus últimos trabalhos – pela guitarra elétrica, enxugou a banda e criou letras mais pops, e mais simples, para o mais recente CD, Letra e Música. O espetáculo intitulado Pop Star, por causa da regravação do sucesso de João Penca e seus Miquinhos Amestrados, vem ainda em clima saudoso, com os grandes sucessos de toda a carreira do cantor, compositor e guitarrista. O show será hoje, às 22h, no Academia Music Hall.
A apresentação inclui dez das 13 canções que fazem parte do novo álbum, como Gambiarra, Roleta, Sinhá e Eu e Popstar. Como não poderia faltar, Lulu toca sucessos inesquecíveis, entre eles Como uma Onda, Sereia, Um Certo Alguém, Cura, Assim Caminha a Humanidade e Último Romântico. “As pessoas gostam de escutar canções conhecidas, músicas que se tornaram trilha sonora da vida delas. Eu apresento as novas também, mas se o show não tiver graça para os fãs, não tem para mim. E eles estão ali para ouvir as antigas”, disse Lulu Santos, em entrevista ao Jornal de Brasília.
Uma das grandes expectativas de Lulu para se apresentar em Brasília é em relação ao local do show. Desta vez, não cantará em ginásios ou clubes. “É um alívio poder tocar em uma casa de espetáculos, fico feliz em saber que Brasília tem um espaço assim”, elogia. “Quem for, vai assistir a um belo show, com cenografia deslumbrante, feita à base de luz”, adianta, referindo-se ao trabalho elaborado por Gringo Cardia.
Depois de cinco anos dando destaque para a batida eletrônica em seus CDs, o cantor traz neste 20º disco um trabalho com arranjos mais simples. “A guitarra elétrica reaparece numa dimensão mais ampla e as letras são mais rock do que estavam sendo nos últimos anos. O título é auto-explicativo: novas letras e novas músicas”, define.
O cantor pop, que se lançou no mercado em 1982, com o LP Tempos Modernos, retorna aos anos 80 com esse show. O nome da turnê foi dada por causa da releitura de Popstar, música que foi gravada originalmente pelo grupo João Penca e seus Miquinhos Amestrados, nos anos 80. Lulu diz que a escolha foi, principalmente, por se achar o popstar da letra da música, um cara que fica tocando guitarra e sem ser compreendido por ninguém. “Essa música defende o rock brasileiro. Sempre me dizem que sou o new wave. Foi uma antiga vontade regravá-la”, revela.
Voltando no tempo, traz uma versão sua para Vôo de Coração, de Ritchie. A primeira composição também entrou no CD, Din Don, que fez em parceria com Bernardo Vilhena, há 29 anos. Lulu faz uma nova versão para Ele Falava Nisso Todo Dia, de Gilberto Gil, que está no CD Letra e Música.
O artista toca no show duas músicas que fez em parceria. O samba Quisera Eu, que a cantora Zélia Duncan registrou em seu recente CD, Pré-Pós-Tudo-Bossa-Band, e uma nova versão para o sucesso do Cidade Negra, Sábado à Noite. Sobre a inclusão de um samba em seu repertório pop, o cantor lembra que introduziu essa mistura com seu CD Pop Sambalanço e Outras Levadas, lançado em 1989. “Existe um diálogo entre o samba e o pop, por isso digo que a minha música não é desprovida de MPB muito menos de samba. Toco exatamente como fiz”, explica.
Em relação a Sábado à Noite, Lulu lembra que morava no mesmo prédio que o Da Gama (guitarrista do Cidade Negra), quando o grupo encomendou para ele uma música, em 1997. Em primeira mão, convidou o guitarrista para ouvi-la. “Era como levar uma xícara de açúcar para o vizinho, mas a gente levou música”, brinca.
O cantor optou por reduzir a banda. Toca acompanhado apenas de Hiro Sam (teclado), André Negrão (baixo) e Chocolate (bateria). “Quanto menos pessoas, mais espaço para a sonoridade de cada um. E a única pessoa tocando guitarra sou eu; ela tem um grande destaque nas músicas”, avalia.
Para Lulu, o pop rock nacional teve grande importância na década de 80. Conseguiu invadir o espaço da MPB e conquistar fãs pelo País. Hoje, ele diz que a música brasileira inclui todos os estilos feitos no Brasil. “O que é mais importante é que neste País se consome toda a música produzida. Do sertanejo ao pagode, passando pela dança nortista, pelo rock”, avalia. “Nosso País tem traços bem diferentes e com espaço para todos os tipos de música produzidos aqui. Tudo é música brasileira”, completa.
O astro pop diz estar em um ótimo momento da carreira. “Este é meu melhor espetáculo, mais requintado, com dez músicas do meu 20º disco. E é isso que me leva ao Planalto Central”, diz.