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POLÊMICA no Samba

Arquivo Geral

23/02/2004 0h00

Para os dirigentes da Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba), a reedição de músicas e enredos no Carnaval deste ano, no Rio de Janeiro, merece nota máxima. Além de comemorar os 20 anos de Passarela do Samba, a medida resgatou melodias e compositores esquecidos no tempo.

O diretor cultural da liga e autor do livro Carnaval – Seis Milênios de História, Hiran Araújo, acredita que ressuscitar sambas-enredo históricos traz o reconhecimento aos compositores antigos. O pesquisador lembra que Silas de Oliveira, autor do inesquecível samba Aquarela Brasileira (que a Império Serrano defendeu, novamente, hoje) morreu, em 1972, na miséria. “Silas teve um infarto fulminante cantando numa roda de samba para arranjar dinheiro para o material escolar de sua filha. Se os sambas tivessem uma sobrevida maior, talvez o mestre não passasse por isso”.

Hiran também defende o encontro das duas fases dos sambas-enredo por uma questão pessoal. “Acho importante que as novas gerações conheçam os sambas mais longos e descritivos do passado. De um tempo pra cá eles são mais rápidos, mais curtos e contém mais refrões, mas nem por isso são mais belos”.

Como o assunto é samba, não faltam discussões apaixonadas. Para o compositor e diretor da São Clemente, Eugênio Leal, a reeleitura das músicas esbarra em um problema de ordem subjetiva: “Como julgar uma música que se consagrou através do tempo como o Aquarela Brasileira?

O compositor vai além: “Dificilmente um samba desconhecido alcança a mesma força de um tema consagrado como Aquarela Brasileira”. Para Leal, o resultado é barbada: “Os quatro sambas clássicos resgatados (da Portela, Tradição, Viradouro e Império Serrano) receberão notas máximas”.

Fenômeno Polêmicas à parte, com sambas inéditos ou tradicionais, quem se diverte é o povo que esgotou o estoque de fantasias das escolas ainda em janeiro e vem resgatando ano a ano as tradições do carnaval. Um fenômeno que emociona Ilvamar Magalhães, carnavalesco da Império Serrano. “Só tenho a agradecer a velha-guarda imperiana, que fez parte da história do Carnaval e nos brindou com tanta poesia”.

Em março, o presidente da Liesa, Ailton Guimarães Jorge, deverá se reunir com os dirigentes das 14 escolas do Grupo Especial para decidir se os próximos carnavais terão ou não sambas de outros anos. A decisão será tomada por meio de acordo e não por votação.

Enquanto os bambas não decidem, o folião tem ainda hoje para curtir o desfile da Tradição que revive a força do enredo Contos de Areia, do Carnaval de 1984 da Portela e da Império Serrano, que vem com Aquarela Brasileira, de 1964.

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    POLÊMICA no Samba

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    23/02/2004 0h00

    Para os dirigentes da Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba), a reedição de músicas e enredos no Carnaval deste ano, no Rio de Janeiro, merece nota máxima. Além de comemorar os 20 anos de Passarela do Samba, a medida resgatou melodias e compositores esquecidos no tempo.

    O diretor cultural da liga e autor do livro Carnaval – Seis Milênios de História, Hiran Araújo, acredita que ressuscitar sambas-enredo históricos traz o reconhecimento aos compositores antigos. O pesquisador lembra que Silas de Oliveira, autor do inesquecível samba Aquarela Brasileira (que a Império Serrano defendeu, novamente, hoje) morreu, em 1972, na miséria. “Silas teve um infarto fulminante cantando numa roda de samba para arranjar dinheiro para o material escolar de sua filha. Se os sambas tivessem uma sobrevida maior, talvez o mestre não passasse por isso”.

    Hiran também defende o encontro das duas fases dos sambas-enredo por uma questão pessoal. “Acho importante que as novas gerações conheçam os sambas mais longos e descritivos do passado. De um tempo pra cá eles são mais rápidos, mais curtos e contém mais refrões, mas nem por isso são mais belos”.

    Como o assunto é samba, não faltam discussões apaixonadas. Para o compositor e diretor da São Clemente, Eugênio Leal, a reeleitura das músicas esbarra em um problema de ordem subjetiva: “Como julgar uma música que se consagrou através do tempo como o Aquarela Brasileira?

    O compositor vai além: “Dificilmente um samba desconhecido alcança a mesma força de um tema consagrado como Aquarela Brasileira”. Para Leal, o resultado é barbada: “Os quatro sambas clássicos resgatados (da Portela, Tradição, Viradouro e Império Serrano) receberão notas máximas”.

    Fenômeno Polêmicas à parte, com sambas inéditos ou tradicionais, quem se diverte é o povo que esgotou o estoque de fantasias das escolas ainda em janeiro e vem resgatando ano a ano as tradições do carnaval. Um fenômeno que emociona Ilvamar Magalhães, carnavalesco da Império Serrano. “Só tenho a agradecer a velha-guarda imperiana, que fez parte da história do Carnaval e nos brindou com tanta poesia”.

    Em março, o presidente da Liesa, Ailton Guimarães Jorge, deverá se reunir com os dirigentes das 14 escolas do Grupo Especial para decidir se os próximos carnavais terão ou não sambas de outros anos. A decisão será tomada por meio de acordo e não por votação.

    Enquanto os bambas não decidem, o folião tem ainda hoje para curtir o desfile da Tradição que revive a força do enredo Contos de Areia, do Carnaval de 1984 da Portela e da Império Serrano, que vem com Aquarela Brasileira, de 1964.

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