A Editora 34 acaba de lançar Fausto: Uma Tragédia – Primeira Parte, de Johann Wolfgang von Goethe, poema clássico da literatura universal sobre um feiticeiro com sede de conhecimento que, segundo a tradição oral, viveu na Alemanha entre 1470 e 1540. Para ampliar suas descobertas, Doutor Fausto teria feito um pacto de sangue com o diabo (Mefistófeles, aquele que não ama a luz ou o destruidor do bem).
Personagem do teatro de marionetes alemão – ambiente em que o menino Goethe teve contato, pela primeira vez, com a história do feiticeiro – e de espetáculos encenados por várias companhias teatrais da Europa, Fausto teria freqüentado cursos universitários voltados ao aprendizado de medicina, teologia e magia – nas Universidades de Heidelberg, Cracóvia e Wittenberg, esta última berço do movimento luterano. Seus clientes não eram apenas populares, mas pessoas influentes e de alta classe social, como o Bispo de Bamberg e o cavaleiro imperial Franz von Sickingen, que solicitavam seus conselhos astrológicos e lhe pagavam bem por isso.
Fausto não é, portanto, uma criação de Goethe, já que muito antes de o autor transformar a história do feiticeiro em poesia, sua vida já desfilava em palcos europeus e era contada de pai para filho, na Alemanha. Há, inclusive, documentos antigos que indicam sua passagem por feiras e o contato com poderosos, entre os séculos 15 e 16, época em que lhe atribuíam o nome Georgius, depois Johann, até chegar a Faustus, que significa “o feliz” ou “o afortunado”, em latim. Porém, o Fausto de Goethe é considerado uma obra-prima, o clássico dos clássicos, pela força da narrativa e originalidade.
ObscenoComposta por duas partes, a tragédia acompanhou o escritor – ou o atormentou – por 60 anos: começou a ser escrita em 1772 e, após alguns anos de interrupção, foi concluída próximo a sua morte, em 1832. A primeira parte foi editada somente em 1808, com a aprovação de Goethe.
O recém-lançado no Brasil Fausto I é bilíngüe (português e alemão) e foi traduzido pela paulista Jenny Klabin Segall, que viveu na Alemanha entre 1904 e 1909 e foi casada com o pintor modernista Lasar Segall. Introdução, notas e comentários são de Marcus Vinicius Mazzari, professor de Teoria Literária da Universidade de São Paulo e doutor em filologia alemã pela Universidade de Berlim. E as ilustrações (desenhos e litografias) são do pintor francês Eugène Delacroix.
A edição traz ainda uma curiosidade: o chamado Saco de Valpúrgis – versos blasfemos e obscenos que Goethe, se autocensurando, retirou da edição de 1808 e que agora são publicados, pela primeira vez, em português. A Editora 34 pretende publicar o Fausto II ainda este ano.