Com direção da cineasta Monique Gardenberg e elenco onde se destacam Beth Goulart, Caco Ciocler, Giulia Gam e Maria Luísa Mendonça, estréia hoje a peça Os Sete Afluentes do Rio Ota, do canadense Robert Lepage. O espetáculo cumpre temporada no Centro Cultural Banco do Brasil até a próxima semana, sempre de sexta a domingo.
É a primeira vez que a cineasta Monique Gardenberg, que dirigiu Benjamim (filme baseado no livro homônimo de Chico Buarque), monta uma peça de teatro. E, de cara, foi indicada ao prêmio de melhor direção para o Prêmio Shell de teatro de 2002. Além da direção, a montagem recebeu outras quatro indicações para o prêmio: melhor cenário, melhor figurino, melhor iluminação e melhor ator (Caco Ciocler). Os Sete Afluentes do Rio Ota é uma peça considerada difícil e de longa duração. Cada sessão dura quatro horas e 25 minutos, com intervalo de 20 minutos. Por esses motivos, foi uma surpresa ter tantas indicações ao prêmio.
O Rio Ota possui sete afluentes e atravessa a cidade de Hiroshima, no Japão. No dia 6 de agosto de 1945, os Estados Unidos jogaram uma bomba atômica sobre a cidade, matando cerca de 150 mil civis japoneses. Milhares de pessoas que sofriam com as queimaduras corriam em busca de água para o Ota, que acabou se tornando um rio de cadáveres. O genocídio americano marcou o fim da 2ª Guerra Mundial.
A peça do autor e diretor canadense Robert Lepage é uma saga que começa em Hiroshima, passando pelos cinco continentes e voltando para a cidade onde tudo começou. O espetáculo é dividido em sete capítulos: Fotografias, Jeffreys, As Palavras, Um Casamento, O Espelho, A Entrevista e O Trovão. Em cada capítulo, um personagem é o elo que liga uma história a outra.
Beth Goulart interpreta uma japonesa que teve a face destruída pela bomba e conhece um soldado americano que volta a Hiroshima para fotografar os horrores da guerra, e que se apaixona por ela – que atua de costas para o público. A partir daí, começa a se desenrolar uma história com vários personagens que contrasta os opostos. O espetáculo alterna tragédia com comédia. Mostra a insensibilidade ocidental em relação à cultura oriental.
“Eu não pensei muito ao montar a peça, foi uma paixão”, revela a diretora Monique. “Vi a peça pela primeira vez em 1996, e, depois de ter passado por algumas tragédias na minha vida, decidi montá-la”, explicou Monique. A experiência, pelo visto, deu certo: a diretora já foi convidada para montar mais um espetáculo de teatro, do autor e diretor norueguês John Fosse, a ser estrelado por Renata Sorrah.