A respeito de nota aqui publicada na edição de ontem, muitos se manifestaram sobre as seguidas interrupções que a Record vem fazendo na transmissão do seu futebol. Tenho certeza que é com a melhor das intenções, essa idéia de apresentar um trabalho diferente da Globo, colocando os gols e informações de outras partidas quase que instantaneamente no ar. Só que isto tem de ser feito com certo critério. As interferências têm sido muitas e, pelo que já ficou demonstrado, sempre acabam comprometendo a transmissão principal. Prova maior foi o que ocorreu na última quarta-feira. Luciano do Valle, atendendo instruções do seu comando, chamou um lance gravado da partida Flamengo e Fluminense, e deixou de narrar, ao vivo, o segundo gol do Cruzeiro na derrota para o São Paulo, que ele transmitiu do Mineirão, em Belo Horizonte. Não pode acontecer uma coisa dessas. É bobeada e das feias. Já dizia o Boni, em seus tempos de Globo, que nas transmissões do futebol o número de interferências deve se resumir ao mínimo aceitável. Ele limitava bem o trabalho dos seus narradores, comentaristas, repórteres e até da retaguarda. Ninguém se metia a fazer mais do que era permitido. Hoje, sem o Boni por lá, não funciona mais assim. Galvão Bueno é o melhor ou pior exemplo, sempre extrapolando esses limites e atropelando feio seus demais companheiros de trabalho. A Record tem de usar de muita criatividade e buscar seu próprio caminho, só que os conceitos atuais devem ser revistos o mais rapidamente possível.