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Pensar demais em sexo pode ser viciante

Arquivo Geral

27/09/2004 0h00

Pensar em sexo é normal e saudável, defendem os psicólogos de plantão. Afinal, a sexualidade é uma condição humana, uma necessidade básica. Mas, e quando a pessoa só pensa “naquilo”, tornando-se inclusive compulsiva e agindo, em casos extremos, de forma moralmente condenável. Esse limite é o para o que os especialistas chamam de sexo compulsivo ou patológico, que determina aqueles que são viciados em sexo.

O uso da palavra “vício”, na verdade, é evitada pelos especialistas, em função da conotação moral negativa. Enquanto, com relação às drogas, o termo preferido é “dependência”, no que se refere ao sexo, gostam de usar a expressão “compulsão”. Esse termo designa distúrbios como o desejo constante e sem amarras de manter relações sexuais ou de realizar outras práticas, como fazer compras, exercícios físicos ou comer.

Alguns psiquiatras, psicanalistas e antropólogos acreditam que essa compulsão pode ser explicada pelas mudanças sociais que ocorreram nas últimas décadas, além do próprio avanço da medicina. A teoria é de que a humanidade está vivendo uma era em que o “vício”, como é conhecido por todos, ganhou novas conotações, diagnósticos e dimensão. Os cientistas e terapeutas estão tendo que aprender a lidar com “viciados” inéditos

O psiquiatra Aderbal Vieira Júnior, coordenador do Ambulatório de Tratamento do Sexo Patológico, do Proad (Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes), da Universidade Federal de São Paulo – Unifesp, compara a compulsão ao vício.

O especialista explica inclusive que este “vício” é uma variante daqueles relacionados, por exemplo, a drogas e aos jogos. “O funcionamento é o mesmo”, afirma. Segundo ele, o sexo patológico pode ser diagnosticado a partir do momento em que a pessoa já não consegue controlar os seus impulsos e perde a liberdade.

Um colega de universidade do dr. Aderbal Júnior, o professor de pós-graduação em Psiquiatria, Rodrigo Bressan, reforça a similaridade entre os dependentes de drogas e os compulsivos.

Segundo ele, os mecanismos utilizados pelo cérebro são realmente os mesmos. Nos dois casos, a pessoa não pode mais ficar sem determinada substância – seja ela o cigarro, o álcool ou uma droga ilícita – ou sem repetir uma ação ou um comportamento.

No caso do número de afetados no mundo, ele vem aumentando – o dependente de drogas e o compulsivo sexual – concomitantemente. O psiquiatra e psicanalista Joel Birman, professor titular do Instituto de Psicologia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), acredita que isto se deva às novas exigências da sociedade dita pós-moderna.

Birman defende que a sociedade exige cada vez mais das pessoas nos mais variados campos e que muitos nem sempre estão preparados para se adequar à esta pressão. E aí, haja estímulos, proporcionados pelos meios de comunicação, que não conseguem ser digeridos. “Sentimo-nos possuídos por uma excitação da qual não conseguimos dar conta”, diz Birman. O resultado disso é o que o psicanalista chama de “excesso de excitabilidade”. Quem não consegue lidar com este excesso pode “sucumbir”, diz Birman.

Diante disso acontecem reações diversas, entre elas as perturbações psicossomáticas, síndrome do pânico ou depressão. Outra reação é que a pessoa começa a comer muito, jogar ou se drogar.

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    27/09/2004 0h00

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    O uso da palavra “vício”, na verdade, é evitada pelos especialistas, em função da conotação moral negativa. Enquanto, com relação às drogas, o termo preferido é “dependência”, no que se refere ao sexo, gostam de usar a expressão “compulsão”. Esse termo designa distúrbios como o desejo constante e sem amarras de manter relações sexuais ou de realizar outras práticas, como fazer compras, exercícios físicos ou comer.

    Alguns psiquiatras, psicanalistas e antropólogos acreditam que essa compulsão pode ser explicada pelas mudanças sociais que ocorreram nas últimas décadas, além do próprio avanço da medicina. A teoria é de que a humanidade está vivendo uma era em que o “vício”, como é conhecido por todos, ganhou novas conotações, diagnósticos e dimensão. Os cientistas e terapeutas estão tendo que aprender a lidar com “viciados” inéditos

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    O especialista explica inclusive que este “vício” é uma variante daqueles relacionados, por exemplo, a drogas e aos jogos. “O funcionamento é o mesmo”, afirma. Segundo ele, o sexo patológico pode ser diagnosticado a partir do momento em que a pessoa já não consegue controlar os seus impulsos e perde a liberdade.

    Um colega de universidade do dr. Aderbal Júnior, o professor de pós-graduação em Psiquiatria, Rodrigo Bressan, reforça a similaridade entre os dependentes de drogas e os compulsivos.

    Segundo ele, os mecanismos utilizados pelo cérebro são realmente os mesmos. Nos dois casos, a pessoa não pode mais ficar sem determinada substância – seja ela o cigarro, o álcool ou uma droga ilícita – ou sem repetir uma ação ou um comportamento.

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