Ele traz nos ombros o peso de 34 anos de viagens sucessivas. Um homem curvado, carregando duas malas pesadas. É o velho, desesperado e perdido, caixeiro viajante Willy Loman. Assim começa a peça A Morte de um Caixeiro Viajante, que será apresentada de hoje a domingo, na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional. Entre os atores do elenco, Marco Nanini, Gabriel Braga Nunes e Francisco Milane.
Willy, interpretado por Nanini, é um homem que vive no Brooklyn e não aceita o fracasso dele e da família. Ele vive suas últimas horas de existência e deseja salvar sua família. Ele está imerso em uma confusão mental, convive com fatos do presente, mas tem alucinações que o levam a momentos do passado, que atormentam sua vida. Willy sonha com um sucesso que não acontecerá.
São três horas de espetáculo, divididos em dois atos, com 15 minutos de intervalo. No total, 13 atores ocupam o palco e a atenção dos espectadores. O texto de Arthur Miller, escrito em 1949, é interpretado na íntegra, mostrando ao público como funciona a cabeça do homem, especificamente de Willy Loman. O que ele muitas vezes não percebe, a platéia entende. O objetivo é mostrar o que se passa dentro da cabeça de um homem momentos antes de ele se matar. Em determinado momento, Loman percebe que o fim se aproxima, e sua memória o leva ao insucesso. O problema é que ele não consegue perceber isso.
O texto tenta mostrar o quanto Willy não enxerga a realidade. Mas a fantasia não está só em Willy. Gabriel Braga Nunes interpreta Happy, o filho de Loman que vive sonhos impossíveis e acaba dependente do álcool. Charley, de Francisco Milani, é o melhor amigo de Willy, e tenta ajudá-lo a ver a realidade. Linda, a esposa (papel de Juliana Carneiro da Cunha), tenta manter a união da família. Loman tenta até o fim convencer à todos que ainda terá sucesso, mesmo se arrastando em palco.
A direção da peça é de Felipe Hirsch e os figurinos de Rita Murtinho. O cenário de Daniela Thomas dá a idéia de limite entre passado e presente, entre sonho e realidade. A Morte de um Caixeiro Viajante promete emocionar o público com a crítica ao consumismo desenfreado e ao sonho americano do sucesso a qualquer custo.