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Peça <i>Virilhas</i> fica no limite entre a dor e o prazer de um grande amor

Arquivo Geral

07/12/2007 0h00

Viver um grande amor não é tão fácil quanto parece. Sentimentos como medo, felicidade, insegurança, paixão e tantos outros caminham lado a lado numa eterna contradição, que inclui perdão, brigas e reconciliações. Esse parece ser o recado da peça Virilhas, que fica em cartaz no Teatro Goldoni até o dia 16 deste mês.

Na peça, escrita e dirigida por Alexandre Ribondi, Gabriel (Gabriel F.) e Sérgio (Sérgio Sartório) viveram um romance há cerca de um ano e agora se reencontram. Eles sabem que ainda estão apaixonados, mas lidam com isso de maneiras completamente diferentes. Enquanto Gabriel vive numa contradição entre o amor e a loucura (em um momento da peça, chega a confessar que não sabe onde começa uma coisa e termina o outra), a dúvida de Sérgio é a de se entregar à paixão ou se prender ao fato de o mãe dele ser casada com o pai do ex-namorado.

Mais do que um espetáculo sobre um casal homossexual, Virilhas é uma peça sobre o amor de um casal, que também poderia ser de um homem e uma mulher ou de duas mulheres sem nenhum prejuízo. A direção de Ribondi está no caminho certo ao mostrar seus personagens sem estereótipo nenhum, sem afetações ou recursos afins.

O problema é que um tema tão profundo e belo acaba sendo tratado por Ribondi com leveza demais e o texto se torna banal, simplório, beirando muitas vezes o clichê. As cores adotadas por Ribondi em seu texto podiam ser menos fortes e o tom poderia estar mais longe do dramalhão mexicano.

A irregularidade do texto é compensada tanto pela direção de Ribondi como pelas atuações de Gabriel e Sérgio, dois nomes da nova geração do teatro brasiliense que começam a se destacar nos palcos da cidade.

Além da escolha do elenco, outro acerto de Virilhas é o tom intimista que permeia todo o espetáculo. Somos a todo o momento convidados a participar da discussão da relação do casal como espectadores e não como invasores. Até a escolha do teatro – o Goldoni é um espaço bem aconchegante – contribui para isso.

Sérgio e Gabriel (ainda como atores e não como personagens) recebem o público no teatro antes de as luzes se apagarem e atuam o tempo todo nus ou usando apenas roupas íntimas, o que facilita a intimidade com o público assim que passa o primeiro choque e as tosses nervosas cessam no teatro. Além disso, o tom adotado por Ribondi em sua direção é bem próximo do naturalista. Os mais atentos ainda se sentirão próximos dos personagens ao perceber que eles têm os mesmos nomes de seus intérpretes.

Apaixonado ou não, o público de Virilhas sai do teatro com a certeza de que viver um grande amor é doloroso e prazeroso ao mesmo tempo. Mas, mesmo assim, vale a pena.

Virilhas – Até 16 de dezembro, sextas e sábados, às 21h; domingo, às 20h. Espetáculo com texto e direção de Alexandre Ribondi; elenco: Gabriel F. e Sérgio Sartório. Ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). Local: Teatro Goldoni (EQS 208/209). Classificação indicativa: 18 anos.

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