Vendida como “o primeiro faroeste da TV brasileira”, a novela Bang Bang, que estreou ontem na Globo, no lugar de A Lua me Disse, sugere que o telespectador entre no clima do Velho Oeste. Foi analisada uma lista clássicos escolhidos pelo autor Mario Prata, pelo Cineasta Carlos Reichenbach, pelo professor do curso de cinema do Senac/Rio Joel Yamaji, pelo crítico Sérgio Rizzo e pelo ator José Wilker.
Assim, o telespectador mais jovem e menos íntimo dos filmes de bangue-bangue pode entrar nesse universo fascinante e violento que ainda hoje inspira grandes cineastas, como Quentin Tarantino, que usou influências do gênero em Kill Bill 2.
Os filmes mais votados suscitam nomes conhecidos do público, como os atores John Wayne, Clint Eastwood e até Charles Bronson, que só tinha desejos de matar xerifes, índios e caubóis. Além disso, os clássicos ajudam a reconstruir uma parte importante da história do cinema e dos EUA.
“Alguns dos melhores filmes e diretores se formaram nesse gênero – sem falar que o faroeste ajuda a entender como a América se tornou o que é hoje”, relata Reichenbach, que considera Rastros de Ódio, de John Ford, o bangue-bangue mais importante. “Este filme é parecido com as tragédias gregas, pois mostra o conflito de um herói completamente desiludido com a vida, que busca salvar a sobrinha que foi seqüestrada por índios. Quando a encontra, percebe que sua luta foi vã”.
Apesar de atualmente os filmes de bangue-bangue não fazerem muito sucesso entre o público jovem, até o fim da década de 70, eram essas histórias de mocinho e bandido que povoavam o imaginário dos meninos. Tanto que o cineasta italiano Sergio Leone, autor de Era Uma Vez no Oeste, começou a filmar faroestes em sua terra natal, gênero que ficou conhecido como western spaghetti.
Joel Yamaji diz que essas histórias ficaram populares por conta dos valores fortes que elas pregam. “A conquista territorial do Oeste e de culturas mostradas como inferiores, como a indígena, dá uma idéia de grandeza e heroísmo, que vão ao encontro dos instintos mais primitivos do homem”, conta o professor e cineasta, que afirma ter uma atenção especial por esse tipo de filme porque eles evocam sua infância.