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Padrão mantém Ibope de Ratinho

Arquivo Geral

24/08/2005 0h00

Com a estréia de Ana Paula Padrão no SBT, no dia 18, outras emissoras se apressaram em incrementar os seus telejornais. A Band, com o seu Jornal da Band – exibido no mesmo horário do SBT Brasil, de Ana Paula – tratou de mudar o cenário e fez um acordo com a BBC Brasil que agregou correspondentes internacionais ao noticiário comandado por Carlos Nascimento.

Um pouco mais tarde, o Jornal da TV!, da Rede TV, passou a contar com a participação de Marcelo Rezende, diretamente de Brasília (Rezende assumiu o comando do jornalístico, que passou a se chamar Rede TV! News). É o jornalismo da Globo espalhado pelas outras emissoras do país, já que os três saíram de lá.

Apesar das mudanças, as audiências se mantiveram as mesmas. Renato Levi, professor de Telejornalismo da USP e do Núcleo de Estudos em Jornalismo Perseu Abramo da PUC-SP, acredita que o padrão Globo impera. “Todo mundo tenta copiar o jornalismo deles, mas isso é uma armadilha. No máximo, chegam próximo. E será que é isso que o telejornalismo precisa? Talvez precise romper com esses modelos”, analisa o professor.

O SBT Brasil estreou marcando dez pontos no Ibope, com picos de 12, mas terminou a semana com média de oito pontos, o mesmo que dava o Programa do Ratinho, quando ocupava o horário. Para Laurindo Leal Filho, professor de Jornalismo da USP, o noticiário pecou pela superficialidade. “É um jornal simpático, mais até que o Jornal Nacional, mas não se aprofundou no conteúdo. No primeiro dia, por exemplo, fatos importantes da crise política não foram abordados. É imparcial, porém superficial”. Filho também critica a falta de diversidade nos telejornais: “Embora haja vários programas com formatos diferentes, o conteúdo não muda. A variedade de notícias é limitada”.

Na Band, o telejornal de Carlos Nascimento continuou, na semana passada, registrando as mesmas médias – cerca de cinco pontos no Ibope – da semana anterior. Levi diz que o noticiário é competente e ganhou com os correspondentes internacionais. Leal Filho, por sua vez, critica a postura de Nascimento. “Os comentários dele me surpreendem. Faz o estilo do Boris Casoy, dando sua opinião sem deixar espaço para contradições. É uma escolha perigosa, já que passa uma visão pessoal”.

AgressividadePor fim, Marcelo Rezende, que hoje está no Rede TV! News, marcou sua volta à emissora, inicialmente com participação no Jornal da TV!, cobrindo os acontecimentos de Brasília. A audiência também não reagiu: a média foi de dois pontos no Ibope, contra três da semana anterior.

Leal Filho classificou as aparições de Rezende como “um horror”. “Ele usou o tom de agressividade do Cidade Alerta, passando longe de um possível cuidado jornalístico e de um distanciamento da notícia. Ele se mostrava um cidadão irado, fazendo críticas emocionais e truculentas ao governo, não racionais”.

De qualquer forma, os especialistas concordam que é bom ter vários telejornais no ar, pois, nas palavras de Leal Filho, “há espaço para uma circulação maior de informações”.

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    24/08/2005 0h00

    Com a estréia de Ana Paula Padrão no SBT, no dia 18, outras emissoras se apressaram em incrementar os seus telejornais. A Band, com o seu Jornal da Band – exibido no mesmo horário do SBT Brasil, de Ana Paula – tratou de mudar o cenário e fez um acordo com a BBC Brasil que agregou correspondentes internacionais ao noticiário comandado por Carlos Nascimento.

    Um pouco mais tarde, o Jornal da TV!, da Rede TV, passou a contar com a participação de Marcelo Rezende, diretamente de Brasília (Rezende assumiu o comando do jornalístico, que passou a se chamar Rede TV! News). É o jornalismo da Globo espalhado pelas outras emissoras do país, já que os três saíram de lá.

    Apesar das mudanças, as audiências se mantiveram as mesmas. Renato Levi, professor de Telejornalismo da USP e do Núcleo de Estudos em Jornalismo Perseu Abramo da PUC-SP, acredita que o padrão Globo impera. “Todo mundo tenta copiar o jornalismo deles, mas isso é uma armadilha. No máximo, chegam próximo. E será que é isso que o telejornalismo precisa? Talvez precise romper com esses modelos”, analisa o professor.

    O SBT Brasil estreou marcando dez pontos no Ibope, com picos de 12, mas terminou a semana com média de oito pontos, o mesmo que dava o Programa do Ratinho, quando ocupava o horário. Para Laurindo Leal Filho, professor de Jornalismo da USP, o noticiário pecou pela superficialidade. “É um jornal simpático, mais até que o Jornal Nacional, mas não se aprofundou no conteúdo. No primeiro dia, por exemplo, fatos importantes da crise política não foram abordados. É imparcial, porém superficial”. Filho também critica a falta de diversidade nos telejornais: “Embora haja vários programas com formatos diferentes, o conteúdo não muda. A variedade de notícias é limitada”.

    Na Band, o telejornal de Carlos Nascimento continuou, na semana passada, registrando as mesmas médias – cerca de cinco pontos no Ibope – da semana anterior. Levi diz que o noticiário é competente e ganhou com os correspondentes internacionais. Leal Filho, por sua vez, critica a postura de Nascimento. “Os comentários dele me surpreendem. Faz o estilo do Boris Casoy, dando sua opinião sem deixar espaço para contradições. É uma escolha perigosa, já que passa uma visão pessoal”.

    AgressividadePor fim, Marcelo Rezende, que hoje está no Rede TV! News, marcou sua volta à emissora, inicialmente com participação no Jornal da TV!, cobrindo os acontecimentos de Brasília. A audiência também não reagiu: a média foi de dois pontos no Ibope, contra três da semana anterior.

    Leal Filho classificou as aparições de Rezende como “um horror”. “Ele usou o tom de agressividade do Cidade Alerta, passando longe de um possível cuidado jornalístico e de um distanciamento da notícia. Ele se mostrava um cidadão irado, fazendo críticas emocionais e truculentas ao governo, não racionais”.

    De qualquer forma, os especialistas concordam que é bom ter vários telejornais no ar, pois, nas palavras de Leal Filho, “há espaço para uma circulação maior de informações”.

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