No ano em que se comemora o centenário de nascimento do poeta chileno Pablo Neruda, o cineasta e jornalista Jorge Oliveira recria em Brasília o momento histórico no qual Neruda recitou, em 1945, uma poesia em homenagem ao comunista Luis Carlos Prestes, para 130 mil pessoas no estádio do Pacaembu, em São Paulo.
Jorge colocou no lugar do poeta o ator Everaldo Ferro e, com uma narração em espanhol do dramaturgo Hugo Rodas, realizou um vídeo de dez minutos no qual discorre sobre o poema de Neruda recitado a Prestes. O documentário-ficção, intitulado O Poeta e o Capitão, fora exibido em avant-premiere no congresso do Partido Popular Socialista (PPS) ocorrido nos dias 26 e 27 de março em São Paulo.
O filme, segundo Jorge, será editado em DVD e distribuido daqui 15 dias por meio do próprio PPS, que levará o documentário ao conhecimento dos demais partidos políticos. “A partir daí, vamos levar a obra para o Festival Pablo Neruda de Cinema e Vídeo, no Chile, em julho, que é o mês do nascimento dele”, adianta.
O cineasta concebeu a idéia do vídeo de curta-metragem durante uma viagem ao Chile, na qual leu, pela primeira vez, o poema de Neruda dedicado a Prestes. “Esse foi o momento em que Neruda iniciou na militância comunista”, lembra. Quem cedeu os escritos de Neruda ao cineasta fora o primogênito de Luis Carlos Prestes, de mesmo nome.
O Poeta e o Capitão, conforme revela Jorge Oliveira, é o primeiro passo para a realização de um trabalho mais aprofundado sobre as vindas de Neruda ao Brasil. “Futuramente, queremos mostrar os principais eventos nos quais ele participou no Rio de Janeiro e, uma única vez em que Neruda veio a Brasília, a convite do ex-deputado Márcio Moreira Alves”, relata. “Está nos planos ainda, divulgar o filme por meio dos festivais de vídeo que ocorrem no decorrer do ano”, completa.
Pablo Neruda, chileno de Parral, nasceu no dia 17 de julho de 1904. Autor de mais de 40 obras literárias, dez ensaios acadêmicos e uma peça teatral, Neruda ganhou o Prêmio Nobel de Literatura de 1971. Marxista convicto, participou ativamente da militância política da esquerda chilena. Entre seus principais trabalhos estão Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada, Residência na Terra I e II, Canto Geral e o autobiográfico Confesso que Vivi. O poeta deixou saudades no dia 23 de setembro de 1973, vítima de leucemia, 11 dias após o presidente chileno Salvador Allende ser assassinado.