Débora Falabella é a nova cara da comédia romântica do cinema brasileiro. Mostrou isso com destreza em Lisbela e o Prisioneiro e, a partir de hoje, repete nos cinemas o ar de garota sonhadora e apaixonada no novo filme de Daniel Filho, A Dona da História. Adaptado da montagem cênica de João Falcão, o filme apresenta uma trama envolvente, mas peca na tentativa de levar ao cinema o mesmo tom de interpretação gestual utilizada nos cinemas.
Daniel Filho, que já havia reunido um forte elenco de astros da TV para A Partilha, não poupou o investimento da Globo Filmes para reunir um time de atores que, por eles, vale o ingresso. Na linha de frente está Falabella e Marieta Severo, no papel da “dona da história” Carolina, respectivamente em suas encarnações quando jovem e aos 50 anos. O mocinho do filme, Luís Cláudio, é interpretado pelo ascendente Rodrigo Santoro (jovem) e Antônio Fagundes (velho). Severo é a única que integrou o elenco original da peça, na qual fazia o mesmo personagem.
Tudo começa quando a Carolina cinqüentona toma a decisão de se divorciar de Luís Cláudio. Antes de concretizar o ato, a Carolina jovem encontra seu alter-ego de 30 anos mais velha para discutir as possíveis decisões que poderia tomar ainda aos 18 anos para que pudesse ser feliz no futuro bem à linha de narrativa utilizada por Sandra Werneck em Amores Possíveis, no qual um casal vive diferentes possibilidades de relacionamento em busca do romance perfeito.
Mas A Dona da História tem lá sua originalidade. Em primeiro lugar ao superar o trivial de conduzir a trama com recortes paralelos e unir os dois momentos da personagem Carolina no mesmo lugar e espaço físicos, e poupar o espectador de esclarecimentos fúteis.