O problema é comum, mas bem que ele incomoda, principalmente às crianças em idade escolar. Estamos falando da famosa orelha de abano, protuberância naquele órgão que provoca apelidos que podem traumatizar a garotada, mas tem solução com uma otoplastia (cirurgia de orelha) simples.
A maioria das crianças que tem esse defeito na orelha, cerca de 59%, herdaram-no dos pais. E tudo já vem de berço. “É uma deformidade congênita, um problema de formação do feto. O bebê já nasce com ela”, explica o dr. Luiz de Gonzaga Novaes Guimarães, cirurgião plástico do Hospital Universitário de Brasília-HUB e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.
Segundo o especialista, a orelha de abano é um problema puramente estético: “A deformidade é um problema na cartilagem da orelha. Ela não provoca qualquer problema no ouvido. Não existe risco de afetar a audição. A criança sofre apenas com o preconceito”, garante.
O preconceito de que fala o dr. Luiz de Gonzaga é aquele criado pelos colegas de rua e na escola. “Os coleguinhas passam a colocar imediatamente apelidos. E isto acaba provocando distúrbios psicológicos”, afirma o médico.
As brincadeiras dos amigos, que podem redundar em traumas psicológicos, acontecem justamente na época em que a criança está com a idade mínima para poder fazer uma operação cirúrgica. “A cirurgia é indicada a partir dos sete anos, quando a estrutura cartilaginosa está toda formada”, argumenta o cirurgião plástico do HUB.
Esta cirurgia, que tem o nome genérico de otoplastia, afirma o médico, não é obrigatória. “Quem não tiver qualquer problema com a deformidade, pode passar a vida inteira com ela”, explicita.
A otoplastia é a única forma de corrigir o problema. “Tem mãe que, por falta de informação, coloca um esparadrapo na orelha do bebê, achando que vai resolver a orelha de abano. Mas isso não adianta nada”, conta o dr. Luiz de Gonzaga, que afirma ainda que o resultado da cirurgia costuma ser satisfatório para o paciente e para o médico.
Essa cirurgia acaba sendo solicitada naturalmente pelas crianças, para fugir dos apelidos dados pelos amigos. Os pais devem aproveitar esse sentimento e fazer a otoplastia. É muito mais tranqüilo para os filhos, já que estão plenamente dispostos a cooperar com o procedimento cirúrgico.
É importante ainda os pais perceberem algumas reações dos filhos, já que alguns, por questão de timidez, às vezes não falam que estão sendo discriminados. Quando os adolescentes teimam em usar cabelos compridos e preferem usá-los soltos, é porque podem estar querendo ocultar o problema.
Apesar de ser feita, normalmente, por crianças e adolescentes, os adultos também podem fazer a otoplastia. “Só existe a idade mínima. Não existe idade-limite”, conclui o médico.