Ambos os livros são publicados pela Chronicle Books, que lançou The Beatles Anthology em 2000 – a obra serviu de modelo para According to the Rolling Stones. Segundo a co-editora Dora Loewenstein, Bill Wyman, baixista original dos Stones, estava adiantado demais com seu próprio livro, lançado no ano passado, e não pôde contribuir com According to the Rolling Stones.
Porém, filha do administrador da banda e bem informada sobre os Stones há muitos anos, Loewenstein disse que até mesmo ela descobriu algumas coisas novas. Como a opinião pouco elogiosa de Jagger sobre Exile on Main Street, visto por alguns críticos como o melhor álbum dos Stones. O livro também discute acaloradamente a perda de vários membros da banda, inclusive o falecido Brian Jones. Mas os comentários mais apaixonados dizem respeito à música que amavam e à música que fizeram.
Os Stones falam muito sobre as técnicas que utilizam nos shows e com as quais criaram os espetáculos extravagantes que montam até hoje. Foi uma direção que John Lennon se negou a tomar. Para quem ainda acompanha a rivalidade entre Beatles e Rolling Stones, vale notar que o livro sobre Lennon faz apenas uma menção passageira aos Stones, mas que quase todos os colaboradores do livro sobre os Stones – incluindo os músicos Sheryl Crow, o executivo de gravadora Ahmet Ertegun – fazem referências aos Beatles.
E Keith Richards revela que, longe de competir, as duas bandas se consultavam, “em telefonemas escondidos”, para coordenar lançamentos dos discos. “Todo mundo falava em Beatles versus Stones, mas nós mesmos combinávamos: vocês lançam primeiro e a gente espera duas semanas para lançar o nosso. Nunca entrávamos em conflito. Havia espaço bastante para as duas bandas”, disse Richards.