Em junho de 1944, foi montada em Belo Horizonte a mais importante exposição modernista depois da Semana de Arte Moderna de 1922. O evento, que reuniu 134 obras de artistas brasileiros, foi organizado pelo então prefeito da capital mineira, Juscelino Kubitschek, e batizada de I Exposição de Arte Moderna de Belo Horizonte. De hoje a 12 de dezembro, os brasilienses poderão fazer uma volta no tempo e ver uma parte desse material na mostra O Olhar Modernista de JK, em cartaz no Palácio do Itamaraty. A exposição teve curadoria de Denise Mattar, que dividiu as obras em quatro núcleos. O primeiro chama-se Arte Moderna 1944 e reúne trabalhos de Alberto Guignard, Alfredo Volpi, Anita Malfati, Roberto Burle Marx, Cândido Portinari, Di Cavalcanti, Iberê Camargo, Lasar Segall, Tarsila do Amaral, Victor Brecheret e outros. Todos os 46 artistas que participaram da montagem de 1944 estão representados. Das 80 obras apresentadas no Itamaraty, 40 estiveram na mostra original. Destaque para o quadro O Galo, de Portinari, que gerou polêmica na época, por mostrar um galo em uma posição impossível de ser feita de verdade. O quadro Mendigos, de Santa Rosa, também merece atenção. Ele será exposto com o rasgo de gilete que sofreu durante a exposição de 1944. Algumas obras são relíquias, porque foram expostas somente uma vez. São elas: Terra, de Tarsila do Amaral; Duas Meninas, de Di Cavalcanti; Retrato de Juscelino Kubitschek, de Guignard; e uma água-forte feita por Iberê Camargo, em 1943. O segundo núcleo é sobre Juscelino Kubitschek. Denise Mattar procurou retratar a importância dele como político para as artes e para a industrialização. Por meio de painéis fotográficos montados em ordem cronológica, o visitante poderá entender a relação de JK com o meio artístico. Um exemplo é a foto dele ao lado do quadro Guernica, de Pablo Picasso, durante a abertura da 2ª Bienal Internacional de São Paulo. Ainda nessa parte, serão expostas imagens e maquetes de duas importantes realizações do arquiteto Oscar Niemeyer, a pedido de JK: o conjunto modernista da Pampulha, em Belo Horizonte, e a criação de Brasília. O terceiro núcleo é em homenagem à artista Marta Loutsch, única residente em Minas Gerais a participar da I Exposição de Arte Moderna de Belo Horizonte. Nascida na Alemanha, ela se casou com o engenheiro brasileiro Roberto Loutsch e viveu em Sabará. O último núcleo é uma montagem dos Anos JK, compreendidos pelos cinco anos em que ele presidiu o Brasil, de 1956 a 1961. Roupas, adereços e peças publicitárias reconstroem o clima de otimismo que marcou a época, e teve como símbolos o carro e a televisão.