Ninguém deve negar as qualidades da minissérie JK, mas também não pode ignorar os seus defeitos. Há um grande engano na composição do Carlos Lacerda. Ele não era careteiro e não expressava ódio. Pelo contrário, falava com voz bonita, era envolvente, enérgico, às vezes usava de muito bom humor e colocava as palavras corretamente. Ficou para a história, por exemplo, um determinado debate com Ivete Vargas. Ela disse: “Vossa excelência é um purgante”, ao que ele imediatamente respondeu: “E vossa excelência o efeito”. Lacerda tomou aulas de dicção com a professora Esther Leão, que foi a primeira grande fonoaudióloga brasileira. O seu jeito de se colocar e se expressar era algo que impressionava até mesmo os seus principais adversários. Não tinha quase nada do que o ator José de Abreu está tentando apresentar no tipo montado para a minissérie, onde o seu Lacerda sempre aparece de mal com a vida, fazendo caretas e falando com ódio. Algo que nada corresponde com a história. E duas outras observações: na passagem de tempo, com a troca de Débora Falabella por Marília Pêra, verifica-se que dona Sarah, depois de adulta, cresceu muitos centímetros; e, o JK do José Wilker aparece sempre fechando os olhos e forçando um sorriso. O ex-presidente, como bom político, era bem-humorado e sorridente, mas não ria o tempo todo.