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Obeso produz menos hormônio da fome

Arquivo Geral

01/07/2004 0h00

Um estudo liderado por um cientista brasileiro fez uma descoberta surpreendente sobre os mecanismos que regulam o apetite e que pode ajudar nos tratamentos contra a obesidade. Os pesquisadores descobriram que, durante a noite, pessoas magras secretam grandes quantidades de grelina, um hormônio que estimula a fome.

O estudo verificou que indivíduos obesos, ao contrário, não experimentam tal elevação no nível no hormônio. A grelina ajuda o organismo a controlar o peso como parte de um complexo sistema que regula a ingestão de alimentos e o consumo de energia.

A pesquisa envolveu duas universidades americanas e foi liderada pelo brasileiro Julio Licinio, professor da Escola de Medicina David Geffen, da Universidade de Califórnia, em Los Angeles (Ucla). Uma explicação para a descoberta, segundo o cientista, é que algo pode estar cancelando a produção do hormônio da fome nos mais obesos. “É possível que indivíduos gordos tenham desenvolvido mecanismos biológicos que os tornam resistentes a seus próprios hormônios. Precisamos tentar decifrar esse mistério para desenvolver medicamentos que os tornem mais sensíveis a seus próprios sinais internos”, disse.

Células no estômago secretam grelina no sangue, onde a quantidade de hormônio varia durante o dia, aumentando antes das refeições e diminuindo após a pessoa ter se alimentado. A equipe de Licinio monitorou os padrões de grelina em dez homens, cinco magros e cinco obesos, a cada sete minutos, durante 24 horas.

NívelOs pesquisadores se surpreenderam ao identificar um grande aumento do hormônio nos indivíduos magros entre meia-noite e seis da manhã, em nível tão elevado que superou os valores encontrados antes das refeições. Nos voluntários obesos, os níveis permaneceram praticamente constantes.

“As mais fortes variações dos níveis de grelina estavam ausentes nos homens obesos, sugerindo que seus sistemas regulatórios deixaram de funcionar corretamente. Isso vai contra o estereótipo das pessoas acima do peso normal que acordam no meio da noite para atacar a geladeira”, comentou Licinio. Junto com os baixos níveis de grelina, os indivíduos obesos mostraram, em relação aos mais magros, quantidades mais altas de leptina, hormônio responsável pela sensação de saciedade, e mais baixas de adiponectina, que ajuda a regular o metabolismo energético.

“Isso vai contra o que se costumava achar. Seria de se esperar que pessoas obesas tivessem níveis menores de leptina, não maiores”, afirmou Licinio. O estudo foi publicado na edição de 29 de junho da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas).

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    01/07/2004 0h00

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    O estudo verificou que indivíduos obesos, ao contrário, não experimentam tal elevação no nível no hormônio. A grelina ajuda o organismo a controlar o peso como parte de um complexo sistema que regula a ingestão de alimentos e o consumo de energia.

    A pesquisa envolveu duas universidades americanas e foi liderada pelo brasileiro Julio Licinio, professor da Escola de Medicina David Geffen, da Universidade de Califórnia, em Los Angeles (Ucla). Uma explicação para a descoberta, segundo o cientista, é que algo pode estar cancelando a produção do hormônio da fome nos mais obesos. “É possível que indivíduos gordos tenham desenvolvido mecanismos biológicos que os tornam resistentes a seus próprios hormônios. Precisamos tentar decifrar esse mistério para desenvolver medicamentos que os tornem mais sensíveis a seus próprios sinais internos”, disse.

    Células no estômago secretam grelina no sangue, onde a quantidade de hormônio varia durante o dia, aumentando antes das refeições e diminuindo após a pessoa ter se alimentado. A equipe de Licinio monitorou os padrões de grelina em dez homens, cinco magros e cinco obesos, a cada sete minutos, durante 24 horas.

    NívelOs pesquisadores se surpreenderam ao identificar um grande aumento do hormônio nos indivíduos magros entre meia-noite e seis da manhã, em nível tão elevado que superou os valores encontrados antes das refeições. Nos voluntários obesos, os níveis permaneceram praticamente constantes.

    “As mais fortes variações dos níveis de grelina estavam ausentes nos homens obesos, sugerindo que seus sistemas regulatórios deixaram de funcionar corretamente. Isso vai contra o estereótipo das pessoas acima do peso normal que acordam no meio da noite para atacar a geladeira”, comentou Licinio. Junto com os baixos níveis de grelina, os indivíduos obesos mostraram, em relação aos mais magros, quantidades mais altas de leptina, hormônio responsável pela sensação de saciedade, e mais baixas de adiponectina, que ajuda a regular o metabolismo energético.

    “Isso vai contra o que se costumava achar. Seria de se esperar que pessoas obesas tivessem níveis menores de leptina, não maiores”, afirmou Licinio. O estudo foi publicado na edição de 29 de junho da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas).

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