A partir de amanhã, até o dia 27 de novembro, cardiologistas e cirurgiões de todo o mundo reúnem-se no Rio de Janeiro para discutir os avanços cirúrgicos relacionados a um dos mais graves problemas de saúde que acomete hoje a humanidade, chegando inclusive a níveis epidêmicos, a obesidade.
Nos Estados Unidos, o problema chegou a níveis alarmantes. Naquele país, a obesidade atinge 12 milhões de pessoas e esta doença, somada às suas conseqüências, responde por 5,5% a 7,8% das despesas totais com a saúde. No Brasil, onde ainda não se desenvolveram grandes pesquisas na área, estima-se que existam 1 milhão de grandes obesos.
O VI Congresso Brasileiro de Cirurgia da Obesidade chama atenção, principalmente, para estes tipos de obesos, mais conhecidos como mórbidas, que é quando o doente já não consegue ter mais controle sobre o problema. “Estas pessoas têm dificuldade em fazer dieta, de fazer exercícios. Para essas, a cirurgia aparece como uma solução”, coloca o cirurgião-geral Marco Antônio Leite, vice-presidente do evento, em entrevista ao Jornal de Brasília.
Muita gente ainda não atentou ao fato, mas, de acordo com o cirurgião, a obesidade é uma doença em evolução no mundo inteiro. “As doenças agravadas por ela são muitas, como a hipertensão arterial, a diabetes tipo 2, a artropatia dos membros inferiores (doença degenerativa das articulações, como a dos joelhos, por exemplo, que reage a um peso do corpo ao qual não está acostumado), além de câncer do útero em mulheres e câncer da próstata nos homens”, lista o médico.
Segundo o dr. Marco Leite, a obesidade é causada por muitos fatores, como o genético – que é a predisposição familiar para engordar – ambientais e culturais que definem, por sua vez, hábitos e comportamentos que facilitam o aumento de peso, como a alimentação desregrada ou baseada em fast foods, e a vida sedentária.
“A sociedade não está preparada para a obesidade. Os mais gordos não conseguem sentar, por exemplo, nos bancos de ônibus ou passar nas roletas. A criança obesa não consegue sentar no banco da escola. É necessário que haja uma consciência de que é preciso dar condições a esses indivíduos”, critica o cirurgião plástico.
O dr. Marco Leite já visualiza o agravamento do problema, já que a tendência é que se aumente o número de obesos no Brasil. “Para engordar, hoje em dia, não é preciso muito dinheiro nem comer muitas coisas. A farinha, por exemplo, é barata, mas engorda muito”, conclui.
A obesidade pode ser vista como um equilíbrio daquilo que a pessoa come e aquilo de energia que ela dispende. No mundo consumista, esta é levada a desequilibrar esta balança, e, para compensar, acaba procurando dietas que nem sempre resolvem o problema, principalmente quando a obesidade é mórbida.