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O sorriso murchou

Arquivo Geral

12/09/2005 0h00

Quando sai para um passeio pelas ruas de Copacabana, Marina Miranda surpreende muita gente: “Ih, você está viva!”, dizem as pessoas. A humorista de 75 anos responde sempre rindo e tentando esconder as dificuldades pelas quais passa: “Ainda estou vivinha da silva. Não sou uma assombração!”

Há cinco anos desempregada – o último trabalho foi na Escolinha do Professor Raimundo — a humorista viu sua vida virar de cabeça para baixo. Até o dia 5 de outubro, ela precisa saldar uma dívida de R$ 4.313,30, referente ao pagamento de condomínio, ou o apartamento onde mora há 54 anos terá de ser leiloado.

Marina também contraiu empréstimos que chegam a R$ 10 mil e comprometem sua pensão do INSS, de R$ 1 mil. Para sobreviver, ela tem ajuda de amigos e comerciantes do bairro.

“Não tenho fogão nem máquina de lavar, meu apartamento está caindo aos pedaços. Mas, graças a Deus, comida não falta”, diz ela, que recebe cestas básicas de uma entidade religiosa, carne do açougue da rua onde mora e quentinhas de um restaurante.

Mãe adotiva de 11 filhos e avó de quatro crianças, Marina vive com as filhas Gláucia, de 32 anos, Sylvia, de 29, e Priscila, de 13, que não têm plano de saúde. “Gláucia tem um cisto sério nos ovários e quase não anda. Eu tenho um problema de medula e preciso pegar um ônibus todo mês até São Paulo para fazer um tratamento. Agora, Priscila apareceu com um problema no coração. Está triste a situação aqui em casa”.

perto da morte A esperança de Marina Miranda vem de um drama que viveu 25 anos atrás, quando estava desempregada: “Andei até a Rua Barata Ribeiro decidida a me jogar debaixo de um ônibus. Mas apareceu uma amiga que me salvou e me mostrou o caminho da religião. Depois que conheci Deus passei a ter mais força e a vida melhorou. Agora sei que estou no meio de um outro furacão, mas é uma nuvem passageira. Com muita fé, vou dar a volta por cima. Ainda tenho esperança e muita vida pela frente.

Há um ano, Marina sofreu um derrame e ficou um mês internada entre a vida e a morte no Hospital Miguel Couto. Depois de muita fisioterapia, voltou a andar e ficou praticamente sem seqüelas: “Isso tudo aconteceu por problemas emocionais. Nem sei como sobrevivi. Estou passando pela fase mais difícil de toda a minha vida. Só um milagre pode me tirar dessa. Mas eu tenho muita força de vontade, fé em Deus e estou pronta para voltar a trabalhar. É só isso que eu preciso. Quero me sentir útil de novo”.

Preconceito A comediante se ressente ainda de problemas que vem sofrendo no condomínio onde mora: “Tudo de ruim que acontece no prédio é culpa nossa. Somos chamadas de negrinhas para baixo e não temos nem como nos defender, por falta de um advogado. O doutor Sylvio Guerra (advogado das estrelas) não nos atende mais. Há dois anos não conseguimos falar com ele”.

Marina diz que não pode se queixar dos colegas. “Perdi o contato com alguns, mas gente como Renato Aragão, Malu Mader, Luciano Szafir e Patrícia Pillar já me deram muita força. Sei que posso contar com eles”, acredita.

Histeria Marina lembra, com saudade, dos áureos tempos em que não podia nem sair às ruas por causa do sucesso que fazia na TV, ao lado do comediante Tião Macalé. Nos anos 80, a dupla protagonizava um quadro nos Trapalhões, famoso pelo bordão “Ô crioula difícil. Tchan!”, além de um comercial do supermercado Disco, em que satirizava cenas de novelas da época.

“Um dia fomos a um show do Wando no Asa Branca e os seguranças tiveram que conter a multidão em volta da gente para nos colocar para dentro. Era uma loucura mesmo. Naquele tempo, a vida sorria para nós”, diz Marina.

Cantora lírica, Marina conheceu o amigo Tião Macalé no programa de Ary Barroso na Rádio Nacional. Ele batia o gongo para os calouros que cantavam. Logo depois, ela foi chamada para uma peça de teatro e foi lá que seu talento como comediante acabou descoberto.

Novelas e humorísticos Em 53 anos de carreira, 35 deles como funcionária da TV Globo, Marina participou dos humorísticos Noites Cariocas, da TV Rio, Balança Mas Não Cai, da Globo, e das novelas Dona Xepa (1977), Dancin’ Days (1978), Vereda Tropical (1984) e O Dono do Mundo

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    12/09/2005 0h00

    Quando sai para um passeio pelas ruas de Copacabana, Marina Miranda surpreende muita gente: “Ih, você está viva!”, dizem as pessoas. A humorista de 75 anos responde sempre rindo e tentando esconder as dificuldades pelas quais passa: “Ainda estou vivinha da silva. Não sou uma assombração!”

    Há cinco anos desempregada – o último trabalho foi na Escolinha do Professor Raimundo — a humorista viu sua vida virar de cabeça para baixo. Até o dia 5 de outubro, ela precisa saldar uma dívida de R$ 4.313,30, referente ao pagamento de condomínio, ou o apartamento onde mora há 54 anos terá de ser leiloado.

    Marina também contraiu empréstimos que chegam a R$ 10 mil e comprometem sua pensão do INSS, de R$ 1 mil. Para sobreviver, ela tem ajuda de amigos e comerciantes do bairro.

    “Não tenho fogão nem máquina de lavar, meu apartamento está caindo aos pedaços. Mas, graças a Deus, comida não falta”, diz ela, que recebe cestas básicas de uma entidade religiosa, carne do açougue da rua onde mora e quentinhas de um restaurante.

    Mãe adotiva de 11 filhos e avó de quatro crianças, Marina vive com as filhas Gláucia, de 32 anos, Sylvia, de 29, e Priscila, de 13, que não têm plano de saúde. “Gláucia tem um cisto sério nos ovários e quase não anda. Eu tenho um problema de medula e preciso pegar um ônibus todo mês até São Paulo para fazer um tratamento. Agora, Priscila apareceu com um problema no coração. Está triste a situação aqui em casa”.

    perto da morte A esperança de Marina Miranda vem de um drama que viveu 25 anos atrás, quando estava desempregada: “Andei até a Rua Barata Ribeiro decidida a me jogar debaixo de um ônibus. Mas apareceu uma amiga que me salvou e me mostrou o caminho da religião. Depois que conheci Deus passei a ter mais força e a vida melhorou. Agora sei que estou no meio de um outro furacão, mas é uma nuvem passageira. Com muita fé, vou dar a volta por cima. Ainda tenho esperança e muita vida pela frente.

    Há um ano, Marina sofreu um derrame e ficou um mês internada entre a vida e a morte no Hospital Miguel Couto. Depois de muita fisioterapia, voltou a andar e ficou praticamente sem seqüelas: “Isso tudo aconteceu por problemas emocionais. Nem sei como sobrevivi. Estou passando pela fase mais difícil de toda a minha vida. Só um milagre pode me tirar dessa. Mas eu tenho muita força de vontade, fé em Deus e estou pronta para voltar a trabalhar. É só isso que eu preciso. Quero me sentir útil de novo”.

    Preconceito A comediante se ressente ainda de problemas que vem sofrendo no condomínio onde mora: “Tudo de ruim que acontece no prédio é culpa nossa. Somos chamadas de negrinhas para baixo e não temos nem como nos defender, por falta de um advogado. O doutor Sylvio Guerra (advogado das estrelas) não nos atende mais. Há dois anos não conseguimos falar com ele”.

    Marina diz que não pode se queixar dos colegas. “Perdi o contato com alguns, mas gente como Renato Aragão, Malu Mader, Luciano Szafir e Patrícia Pillar já me deram muita força. Sei que posso contar com eles”, acredita.

    Histeria Marina lembra, com saudade, dos áureos tempos em que não podia nem sair às ruas por causa do sucesso que fazia na TV, ao lado do comediante Tião Macalé. Nos anos 80, a dupla protagonizava um quadro nos Trapalhões, famoso pelo bordão “Ô crioula difícil. Tchan!”, além de um comercial do supermercado Disco, em que satirizava cenas de novelas da época.

    “Um dia fomos a um show do Wando no Asa Branca e os seguranças tiveram que conter a multidão em volta da gente para nos colocar para dentro. Era uma loucura mesmo. Naquele tempo, a vida sorria para nós”, diz Marina.

    Cantora lírica, Marina conheceu o amigo Tião Macalé no programa de Ary Barroso na Rádio Nacional. Ele batia o gongo para os calouros que cantavam. Logo depois, ela foi chamada para uma peça de teatro e foi lá que seu talento como comediante acabou descoberto.

    Novelas e humorísticos Em 53 anos de carreira, 35 deles como funcionária da TV Globo, Marina participou dos humorísticos Noites Cariocas, da TV Rio, Balança Mas Não Cai, da Globo, e das novelas Dona Xepa (1977), Dancin’ Days (1978), Vereda Tropical (1984) e O Dono do Mundo

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