Num desses últimos dias, neste mesmo espaço, o Canal 1 informou que, no ano que vem, o SBT será o mesmo, ou seja, Sílvio Santos decidiu que nenhum investimento será feito no jornalismo ou no esporte. A emissora continuará se dedicando apenas à área do entretenimento. Quem mais perde com isso? Muito dinheiro é necessário para a montagem, organização e funcionamento de um departamento de jornalismo. São despesas com mão-de- obra especializada, serviços de produção, equipamentos, mais equipamentos, assinaturas de agências internacionais, satélites, escritórios nos mais diferentes pontos do País e fora dele, além de outros detalhes que exigem da emissora interessada, verbas bem consideráveis. Hoje, por exemplo, o orçamento do jornalismo da Rede Globo deve ser maior que, pelo menos, 90% dos municípios brasileiros. Só que o retorno oferecido também é dos mais vantajosos. Uma coisa bem saudável. Trata-se de um setor economicamente estável e há muitos anos. Todos os seus produtos, através dos tempos, sempre foram e continuam sendo muito bem vendidos. Não fosse este o motivo principal, jornalismo dá credibilidade e respeito a toda programação que se preze. Sílvio Santos, lamentavelmente, não pensa assim e ninguém consegue convencê-lo do contrário. Faz para o gasto. Até se dá ao luxo de inventar duas moças, completamente estranhas ao meio, transformá-las em apresentadoras e botar no ar. Sempre que possível, claro, com a recomendação de botarem as perninhas de fora. Não chega a ser uma esculhambação completa, mas está perto disso. O seu departamento de telejornalismo, que possui uma redação moderna e grandiosa, foi montado e funcionou a contento durante alguns anos, hoje apenas cumpre tabela. É tocado com boa vontade por quatro ou cinco pessoas e, pelo jeito, vai continuar sendo assim. É uma pena.