Anna Beatriz Lisbôa, do Clicabrasilia.com.br
O flautista, saxofonista e compositor Eduardo Neves é a segunda atração do projeto Engate a Quinta, que toda semana, promove a interação entre músicos brasilienses e artistas de todo o Brasil, no Espaço Brasil Telecom. O músico carioca é convidado do grupo Indústria Brasileira, formado por instrumentistas da cidade, influenciados pelo jazz e pelo choro.
A mistura de samba, choro, pagode, bossa, funk, jazz e outros tantos ritmos que influenciam seu estilo fizeram de Neves um músico de versatilidade singular, reconhecida tanto no Brasil, quanto no exterior. Tocando profissionalmente desde os 16 anos, o carioca já fez parte das bandas de Tim Maia e Luiz Melodia. Tocou com Hermeto Pascoal e rodou o mundo participando de festivais de música em Roma, Inglaterra, Espanha, Bélgica e França, representando o Brasil, inclusive no Montreux Jazz Festival, da Suíça.
Ao comparar o jazz de raiz brasileira com variações do gênero produzidas em outras partes do mundo, Neves explica que o nosso som tem traços muito distintos. “O jazz brasileiro tem uma espontaneidade maior na parte rítmica”, afirma. “Tem um toque diferente por nossa música ser muito viva. O samba, o maracatu são ritmos que estão na rua, vivos. E isso se mistura muito bem com a improvisação do jazz”.
Seu primeiro disco instrumental, Balya, foi lançado em 1993, quando ainda fazia parte do trio Trato a Três. Em 99, Neves lançou outro trabalho com o grupo Pagode Jazz Sardinha’s Club, cujo nome faz referência ao Beco das Sardinhas, reduto tradicional da boemia carioca, famoso por suas sardinhas na brasa.
Seu disco mais recente, Gafieira de Bolso, foi lançado em 2003. Com arranjo e composições próprias, Neves presta sua homenagem às grandes orquestras de baile cariocas. No repertório, muito choro, samba-canção e bolero. “É um disco com música boa de se tocar, de se ouvir e de dançar.Não é uma coisa feita só de músico para músico, é um som mais dançante, agradável de se ouvir, que, ao mesmo tempo, não é só música de fundo”, avalia.
Figura fácil de se encontrar nas rodas do Clube do Choro, o músico se apresenta na cidade há quatro anos e está bem familiarizado com o publico brasiliense. “O público de Brasília curte esse tipo de música, é um pessoal mais sofisticado. É bacana tocar para um público que sabe o que a gente está fazendo”, afirma.
Serviço
Dia 12 de março, quinta-feira, às 21 horas. Ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). Evento não recomendado para menores de 12 anos. Onde: Espaço Brasil Telecom