No início, o Carnaval de Olinda misturava-se à folia de Recife. Chegou ao Brasil na mesma com os portugueses e por aqui fez escola. Eram tempos de festas violentas, onde os foliões lançavam farinha, tinturas e água suja, nos populares entrudos. Anos depois, serpentina e purpurina ganharam espaço e, hoje, a cidade do Recife transforma-se num caldeirão cultural com 12 quilômetros de folia, divididos em oito pólos carnavalescos e mais de 180 apresentações musicais.
Tem de tudo um pouco. Gerações inteiras, diferentes crenças e etnias se misturam para homenagear figuras ilustres. Este ano, é a vez do escritor Ariano Suassuna e do cantor de frevo Claudionor Germano. A vida e obra dos artistas vai virar alegoria carnavalesca e tema da folia em Recife.
A abertura do Carnaval ficará a cargo do percussionista Naná Vasconcelos, que com outros 400 batuqueiros abrirá o primeiro dia da festa do Recife. O cortejo começa na Rua da Moeda e vai até o Marco Zero, um dos pólos carnavalescos de Recife. No palco do Marco Zero apresentam-se nomes consagrados da música brasileira como Nação Zumbi e Alceu Valença.
No domingo de Carnaval, o cantor Lenine recebe Vanessa da Mata, Gabriel Pensador e Zélia Duncan, também no Marco Zero. Além disso, os foliões poderão conferir os desfiles das agremiações de frevo, maracatu, ciranda, coco e diversos estilos de música regional.
A festa continua na segunda-feira, dia 27, quando apresentam-se tradicionais nomes do samba de raiz. É a Noite do Samba, que traz este ano Leci Brandão, Martinho da Vila, Wellington do Pandeiro, Ramos Silva e a bateria Gigantes do Samba.
Quem quiser reviver as festas carnavalescas de outras épocas, pode percorrer ao pólo das fantasias, localizado na praça do Arsenal da Marinha. O lugar relembra as antigas comemorações com pierrôs, colombinas e desfiles de blocos de rua, atraindo os foliões mais velhos. As crianças também fazem parte da festa e desfilam vestidas de super-heróis, fadas e bailarinas e palhacinhos.
Outra atração que não pode ser deixada para trás é o pólo de todos os frevos, homenagem ao autêntico ritmo pernambucano. Pela Avenida Guararapes passa o famoso Galo da Madrugada – bloco com filial no Carnaval brasiliense, mas não tão bem-sucedido como o realizado em Pernambuco, que reúne 2 milhões de foliões. Este é o Recife de todos os ritmos. Uma pequena amostra do Carnaval brasileiro concentrado em um único local do País.