O jeito de ser do SBT, sempre muito distante de tudo, entendendo que o seu mundo é único, imperturbável e completamente diferente daquele em que vivemos, é explicado pelo seu mais alto mandatário de plantão, o mexicano Eugenio Lopez: “Haciemos una televisión de entretenimento”. Tudo para justificar esse caso raro. Em nenhum outro canto desse planeta você vai encontrar uma rede nacional de televisão que vive em tal estado de alienação. Os “informativos” existentes, feitos apenas para atender exigências, estão estrategicamente escondidos nas madrugadas. É só para cumprir tabela. Não existe o menor compromisso com nada, o que é profundamente lamentável. Ninguém está aqui para discutir as preferências pessoais do sr. Sílvio Santos. A sua aversão pelo jornalismo já foi colocada publicamente e vem de muito tempo. Nesta altura da vida, vai ser difícil alguém convencê-lo do contrário, mas é preciso lembrar que televisão é uma concessão pública. Existem algumas obrigações. Como é que dá para admitir, por exemplo, que Yasser Arafat, que morreu às duas da manhã na quinta-feira, continuava vivo num telejornal do SBT que foi ao ar quatro horas depois? Ou que o acidente sofrido pelo apresentador Ratinho, assunto em todas as outras emissoras, fosse completamente ignorado pela casa onde trabalha ou, o que é pior, trocado por Chaves, Pérola Negra, Maria do Bairro… A falta de respeito se completou quando colocaram, no mesmo dia, o seu programa no ar, em gravação, sem fazer nenhuma menção ao ocorrido. É terrível tudo isso. E pensar que o SBT, sem dar o devido valor, tem em suas fileiras jornalistas do porte de Hermano Henning, José Nêumane Pinto e Denise Campos de Toledo, entre outros. Um desperdício.