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O milagre da vida

Arquivo Geral

01/07/2004 0h00

Dez anos depois de um acidente provocado por um irresponsável motorista de caminhão (às vésperas do Natal, em uma rodovia paulista) ter calado uma das vozes mais carismáticas do rádio e da TV brasileira, voltamos a conviver com Osmar Santos, em um “livro-amor” nos presenteado por Paulo Mattiusse.

Sou até suspeito para comentar o trabalho, pois convivi muito com o Osmar nos meus primeiros dez anos de Jornalismo Esportivo, quando eu viajava por esse país inteiro acompanhando o Brasília Esporte Clube nos campeonatos nacionais dos anos 70 e 80. Lembro-me muito bem que eu, garotão de vinte-e-poucos anos, estava sempre no alvo das gozações da galera, devido o meu glorioso sotaque baiano. Osmar; Geraldo Blota, o GB (Rádio Bandeirantes), Paulo Roberto (Rádio Inconfidência de BH); Solange Bibas (A Gazeta Esportiva); Luciano do Vale (TV Globo); Sérgio Noronha (O Globo) e Valdir Amaral (Rádio Glovo-RJ) eram os que mais “caçoavam de mim”, isto é, me pegavam no pé.

Por aquele tempo, jovem fazer Jornalismo Esportivo era raro. Osmar tinha lá seus 35/36 anos, mais ou menos, e nos fazia verdadeiras conferências sobre como prender o ouvinte/telespectador. Eu, Flávio Prado, Eduardo Bueno, o Peninha e um cara chamado Ivan, da Tribuna de Santos, os únicos jovens no grupo dos jornalistas esportivos da época, babávamos o escutando.

Não conheço o autor do livro, mas pelo que ele narra nessas páginas tão bem pesquisadas o vejo dando uma contribuição muito importante para os futuros comunicadores esportivos, ou de outras áreas, também, pois Osmar Santos era um sujeito politizado na mesma época que transmitia o esporte pelo rádio/TV. Tanto que na época da campanha das Diretas, Já! foi o convidado especial dos políticos oposicionistas ao regime militar para comandar a comunicação entre eles e o povo nos comícios.

Por sinal, encontrei no livro (página 126), um relato que confere com o que Osmar muitas vezes alertou-nos: “o jornalista esportivo não deve ser um alienado político, como no passado e que gerou a fama de analfabeto para quem cobria esporte e polícia”. Ele contava que, ao chegar à Rádio Jovem Pan (SP), em 1972, com 22 anos, não tinha nenhuma consciência político-social, e até achava que o Brasil do presidente Garrastazu Médici estava no caminho certo. Portanto, Mattiusse radiografou o cara nos mínimos detalhes.

O autor foi até a infância de Osmar, passou pela sua adolescência e chegou até o trabalho profissional do homenageado com uma narrativa tão simples e gostosa de se ler que (pelo menos comigo foi assim) dá a vontade de não parar mais de conhecer (quem não conhece, é claro) este ser humano tão rico que é o Osmar Santos.

Ele lança o livro em muito boa hora, pois o brasileiro tem memória curta e as novas gerações que hoje vivem na internet e no celular desconhecem quase tudo que marcou nosso passado, até mesmo o mais recente. A contribuição de Osmar à comunicação não deve jamais ser esquecida.

Por isso Mattiusse dá à sua obra também um verdadeiro sentido de relato histórico do rádio moderno no Brasil, a partir das contribuições de Osmar. Sim, foi o Osmar que fez o povo incorporar ao eterno espírito festivo brasileiro expressões como, só para citar duas, “pimba na gorduchina”, “animaaaal!”, este um termo que consagrou (e também engordou a conta bancária de Edmundo, hoje no Fluminense), mas que começou com o ex-goleiro Zetti, do Palmeiras, e que passou ainda pelo lateral Cafu, na época no São Paulo. Não me estendo mais sobre o “livro-amor” do Mattiusse para não tirar a graça da descoberta do leitor. Prefiro recomendar: vai nessa, cara: “pimba na gorduchinha!”.

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    Sou até suspeito para comentar o trabalho, pois convivi muito com o Osmar nos meus primeiros dez anos de Jornalismo Esportivo, quando eu viajava por esse país inteiro acompanhando o Brasília Esporte Clube nos campeonatos nacionais dos anos 70 e 80. Lembro-me muito bem que eu, garotão de vinte-e-poucos anos, estava sempre no alvo das gozações da galera, devido o meu glorioso sotaque baiano. Osmar; Geraldo Blota, o GB (Rádio Bandeirantes), Paulo Roberto (Rádio Inconfidência de BH); Solange Bibas (A Gazeta Esportiva); Luciano do Vale (TV Globo); Sérgio Noronha (O Globo) e Valdir Amaral (Rádio Glovo-RJ) eram os que mais “caçoavam de mim”, isto é, me pegavam no pé.

    Por aquele tempo, jovem fazer Jornalismo Esportivo era raro. Osmar tinha lá seus 35/36 anos, mais ou menos, e nos fazia verdadeiras conferências sobre como prender o ouvinte/telespectador. Eu, Flávio Prado, Eduardo Bueno, o Peninha e um cara chamado Ivan, da Tribuna de Santos, os únicos jovens no grupo dos jornalistas esportivos da época, babávamos o escutando.

    Não conheço o autor do livro, mas pelo que ele narra nessas páginas tão bem pesquisadas o vejo dando uma contribuição muito importante para os futuros comunicadores esportivos, ou de outras áreas, também, pois Osmar Santos era um sujeito politizado na mesma época que transmitia o esporte pelo rádio/TV. Tanto que na época da campanha das Diretas, Já! foi o convidado especial dos políticos oposicionistas ao regime militar para comandar a comunicação entre eles e o povo nos comícios.

    Por sinal, encontrei no livro (página 126), um relato que confere com o que Osmar muitas vezes alertou-nos: “o jornalista esportivo não deve ser um alienado político, como no passado e que gerou a fama de analfabeto para quem cobria esporte e polícia”. Ele contava que, ao chegar à Rádio Jovem Pan (SP), em 1972, com 22 anos, não tinha nenhuma consciência político-social, e até achava que o Brasil do presidente Garrastazu Médici estava no caminho certo. Portanto, Mattiusse radiografou o cara nos mínimos detalhes.

    O autor foi até a infância de Osmar, passou pela sua adolescência e chegou até o trabalho profissional do homenageado com uma narrativa tão simples e gostosa de se ler que (pelo menos comigo foi assim) dá a vontade de não parar mais de conhecer (quem não conhece, é claro) este ser humano tão rico que é o Osmar Santos.

    Ele lança o livro em muito boa hora, pois o brasileiro tem memória curta e as novas gerações que hoje vivem na internet e no celular desconhecem quase tudo que marcou nosso passado, até mesmo o mais recente. A contribuição de Osmar à comunicação não deve jamais ser esquecida.

    Por isso Mattiusse dá à sua obra também um verdadeiro sentido de relato histórico do rádio moderno no Brasil, a partir das contribuições de Osmar. Sim, foi o Osmar que fez o povo incorporar ao eterno espírito festivo brasileiro expressões como, só para citar duas, “pimba na gorduchina”, “animaaaal!”, este um termo que consagrou (e também engordou a conta bancária de Edmundo, hoje no Fluminense), mas que começou com o ex-goleiro Zetti, do Palmeiras, e que passou ainda pelo lateral Cafu, na época no São Paulo. Não me estendo mais sobre o “livro-amor” do Mattiusse para não tirar a graça da descoberta do leitor. Prefiro recomendar: vai nessa, cara: “pimba na gorduchinha!”.

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