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O melhor herdeiro da Vera Cruz

Arquivo Geral

28/06/2003 0h00

Formado na antológica Vera Cruz, onde foi assistente de Lima Barreto em O Cangaceiro, Walter Hugo Khouri sofreu influência dos cinemas americano, japonês, italiano e sueco. Enquanto o Cinema Novo, nos anos 60, queria mostrar o chamado “verdadeiro Brasil”, Khouri se dedicava ao cotidiano da classe média e seus problemas sociais. Por isso mesmo, nos anos 70, recebeu uma saraivada de críticas dos “cinema-novistas”, muitos dos quais o acusavam de alienado. Não faltou também quem o apontasse como “burguês” e “imitador de Antonioni”. Uma de suas maiores marcas era a obstinação. Passava horas tentando encontrar o ponto certo em que determinada música deveria entrar ou sair. Tal cuidado nem sempre era acompanhado à altura pelas pessoas que trabalhavam com ele. O montador Sylvio Renoldi, por exemplo, com quem o cineasta fez As Deusas, freqüentemente se impacientava com essa mania de perfeição. Por essas e outras é que se tornou respeitado. Glauber Rocha (1929-1981), logo no início de sua carreira, costumava consultá-lo para avaliar seus curtas. Glauber considerava Khouri o maior diretor que o Brasil já vira. São vários os filmes que destacaram o talento do cineasta. Noite Vazia, Estranho Encontro, As Amorosas – que revelou Anecy Rocha – , O Anjo da Noite – em que Eliezer Gomes, de Assalto ao Trem Pagador, ganhou um papel muito expressivo – e As Filhas do Fogo estão entre estes. Mas um de seus favoritos era mesmo Corpo Ardente. Qundo o erotismo começou a ganhar campo nos filmes brasileiros – na década de 70 –, Khouri já estava mais do que em casa: desde os anos 50, era essa a sua praia. Adorava as atrizes, de preferência as bonitas. Odete Lara, Norma Bengell, Lilian Lemmertz, Adriana Prieto e Anecy Rocha estavam entre suas preferidas, e igualmente o idolatravam. Todo o furor das críticas que lhe desferiram nos anos 60 não foi suficiente para sufocar seu talento. Isso porque, a uma certa altura, ele se firmou pelo talento imbatível: manteve-se fiel a todas as suas obsessões. Assim, nem mesmo ataques como o do próprio Glauber Rocha – que em 1963, no livro Revisão Crítica do Cinema Brasileiro, o definiu como “um artista equivocado e vítima de equívocos” – puderam demovê-lo de seus ideais. O tempo se encarregaria de mostrar o valor de Khouri.

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