O circo das sete na Globo vive pegando fogo, mas ouso apostar que, no mesmo horário, o SBT tem coisa melhor. Quem é do tempo em que as novelas traziam emoções em série vai gostar de assistir, naquele canal, aos últimos capítulos do dramalhão Rubi.
Trama mexicana, a gente já sabe, tem o formato bastante mais enxuto do que as cada vez mais compridas, povoadas e maleáveis peças da teledramaturgia brasileira. E Rubi, com núcleo reduzido de personagens como os folhetins de seu gênero, não faz exceção a esta regra.
Enquanto as novelas da da teia global chegam a gastar vários capítulos para completar uma seqüência de qualquer acontecimento considerado importante na história, no SBT as coisas se desenrolam com fluidez, muitas vezes, num único bloco.
Se em seu formato original uma novela mexicana já se mostra compacta e objetiva no que se propõe – carregar nas tintas do drama, claro –, imagine o que vem a ser um produto da teledramaturgia em seus últimos dias. Aí é que entra o diferencial de Rubi, protagonizada pela belíssima Bárbara Mori no papel de uma irresistível vagaba interesseira, destruidora de lares e corações.
“Mujer de nadie, mujer de todos”, já diz a música-tema: mulher de ninguém, mulher de todos. Que mulher é essa, minha gente, que dá de dez e meio nas divas mais letais do folclore televisivo pós-tupiniquim? Rubi é a própria encarnação do mal num único e delicioso formato de mulher.
De família humilde, ela conquista, por puro interesse, a amizade da milionária Maribel (Jacqueline Bracamontes), cuja família lhe custeia os estudos. Mas tudo que Rubi almeja é luxo e poder; e, como isso não falta na vida de Maribel, aos poucos ela vai se infiltrando em todo o sistema, até chegar o dia do golpe: apodera-se do belo Heitor (Sebastián Rulli), noivo de Maribel, rumo ao que idealizava como uma vida perfeita e repleta de riquezas.
A coisa já evoluiu a tal ponto que, num único capítulo desta semana, Heitor sofreu um acidente grave (produção cênica rápida e efeitos especiais eficientes) e morreu. Maribel, que ao longo desse tempo se enamorara de Alessandro (Eduardo Santamarina, uma mistura de Antonio Banderas com Floriano Peixoto), sofre: Alessandro, único amor verdadeiro de Rubi – preterido porque na época era pobre, hoje é um médico bem-sucedido –, ainda está balançado, porque acredita que Rubi esperava um filho seu.
Rubi termina amanhã, o que significa que ainda vem mais abalo na história. Entendeu como a ação se desenrola na concorrente da emissora firmada como a número 1? Em Rubi, assim como em Esmeralda (mesmo na questionável versão adaptada, brasileira) e nas demais novelas mexicanas, quem perder um único bloco corre o risco de não entender o capítulo. Já nas extensas e populosas novelas da Globo…