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O filme do ano

Arquivo Geral

18/08/2005 0h00

No início dos anos 60, em Pirenópolis (GO), um homem ousou sonhar. Quando sua mulher anunciou a gravidez, Francisco proclamou: “Vamos ter dois, uma dupla sertaneja”. Tiveram dez. Foi uma vida de batalha, de dificuldades, de persistência, de tragédias. A primeira dupla veio – com Zezé Di Camargo, então Mirosmar, e Emival, o segundo filho – e, como um raio, acabou-se em um acidente de carro. Muito tempo se passou até que Zezé e outro filho de Francisco, Luciano, voltassem a unir suas vozes para, enfim, alcançar as paradas de sucesso. Essa história, que virou filme, chega amanhã aos cinemas com o nome 2 Filhos de Francisco, estreando em 250 salas em todo o País.

Com orçamento de produção de R$ 6,3 milhões e mais R$ 5 milhões de divulgação, incluindo a mídia global – o longa é co-produzido pela poderosa Globo Filmes – este é o primeiro trabalho de Breno Silveira como diretor. Silveira diz que se apaixonou pela trama no momento em que a ouviu pela primeira vez, apesar de não ser fã de música sertaneja. “Sou do Rio, esse não é o meu universo. O roteiro estava lá na Conspiração, quicando, e ninguém se interessava. Quando conheci a história, falei: o filme é meu”, lembra. Mas houve impasses.

Segundo Zezé, a primeira idéia da produtora, a Columbia, era fazer um filme bem comercial. Não era essa a intenção de Silveira. “Falei que, se quisessem que eu exagerasse no melodrama, que pusesse clipe no meio, que procurassem outro diretor. Até tirei uns momentos fortes para não carregar demais”.

O elenco tem incrível semelhança física com os personagens da vida real. Foram testadas 480 crianças, em Goiás, para chegar aos intérpretes de Mirosmar e Emival quando crianças. Dablio Moreira e Marcos Henrique foram os escolhidos. “Eram meninos pobres de Goiás e queriam ser Zezé e Luciano, não tinham bagagem de interpretação. Mas eles viveram essa história na própria pele e, nesse caso, a verdade falou mais alto”, diz Silveira.

Para ser Francisco, Ângelo Antônio passou uma semana na fazenda dos pais da dupla, conversando com o patriarca, para quem o ator foi apresentado como um repórter. Dira Paes, a mãe, Helena, preferiu não conhecer a mulher que originou a personagem. “Vi que era uma mãe universal. Não queria me prender a uma forma de agir”, comenta.

O filme narra desde o nascimento do primeiro filho, Mirosmar (Moreira e Márcio Kieling), até o último. Welson, o Luciano (Wigor Lima e Thiago Mendonça), foi o nono. Francisco sempre estimulou os mais velhos a cantar e tocar. Por conta da persistência, perdeu as terras em Sítio Novo, em Pirenópolis, e teve de se mudar para Goiânia e trabalhar como servente de pedreiro.

Passaram fome só até o dia em que Mirosmar e Emival, como a dupla Camargo e Camarguinho, descobriram que podiam ganhar dinheiro cantando na rodoviária. Arrumaram empresário, passaram vários apuros e um acidente matou Emival. Mirosmar parou de cantar. Welson, 11 anos mais novo, era um bebê. A história vai até a explosão de É o Amor.

Segundo o diretor, cerca de quatro horas de material ficaram fora da edição final. Além de rechear o DVD de extras, há a idéia de fazer um seriado para a TV. Silveira, agora, é quem sonha: “Vamos começar a concorrer em festivais. Sinto que, pela sua brasilidade, o filme talvez chame atenção lá fora. É um drama humano que poderia ter acontecido em qualquer lugar do mundo”.

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    18/08/2005 0h00

    No início dos anos 60, em Pirenópolis (GO), um homem ousou sonhar. Quando sua mulher anunciou a gravidez, Francisco proclamou: “Vamos ter dois, uma dupla sertaneja”. Tiveram dez. Foi uma vida de batalha, de dificuldades, de persistência, de tragédias. A primeira dupla veio – com Zezé Di Camargo, então Mirosmar, e Emival, o segundo filho – e, como um raio, acabou-se em um acidente de carro. Muito tempo se passou até que Zezé e outro filho de Francisco, Luciano, voltassem a unir suas vozes para, enfim, alcançar as paradas de sucesso. Essa história, que virou filme, chega amanhã aos cinemas com o nome 2 Filhos de Francisco, estreando em 250 salas em todo o País.

    Com orçamento de produção de R$ 6,3 milhões e mais R$ 5 milhões de divulgação, incluindo a mídia global – o longa é co-produzido pela poderosa Globo Filmes – este é o primeiro trabalho de Breno Silveira como diretor. Silveira diz que se apaixonou pela trama no momento em que a ouviu pela primeira vez, apesar de não ser fã de música sertaneja. “Sou do Rio, esse não é o meu universo. O roteiro estava lá na Conspiração, quicando, e ninguém se interessava. Quando conheci a história, falei: o filme é meu”, lembra. Mas houve impasses.

    Segundo Zezé, a primeira idéia da produtora, a Columbia, era fazer um filme bem comercial. Não era essa a intenção de Silveira. “Falei que, se quisessem que eu exagerasse no melodrama, que pusesse clipe no meio, que procurassem outro diretor. Até tirei uns momentos fortes para não carregar demais”.

    O elenco tem incrível semelhança física com os personagens da vida real. Foram testadas 480 crianças, em Goiás, para chegar aos intérpretes de Mirosmar e Emival quando crianças. Dablio Moreira e Marcos Henrique foram os escolhidos. “Eram meninos pobres de Goiás e queriam ser Zezé e Luciano, não tinham bagagem de interpretação. Mas eles viveram essa história na própria pele e, nesse caso, a verdade falou mais alto”, diz Silveira.

    Para ser Francisco, Ângelo Antônio passou uma semana na fazenda dos pais da dupla, conversando com o patriarca, para quem o ator foi apresentado como um repórter. Dira Paes, a mãe, Helena, preferiu não conhecer a mulher que originou a personagem. “Vi que era uma mãe universal. Não queria me prender a uma forma de agir”, comenta.

    O filme narra desde o nascimento do primeiro filho, Mirosmar (Moreira e Márcio Kieling), até o último. Welson, o Luciano (Wigor Lima e Thiago Mendonça), foi o nono. Francisco sempre estimulou os mais velhos a cantar e tocar. Por conta da persistência, perdeu as terras em Sítio Novo, em Pirenópolis, e teve de se mudar para Goiânia e trabalhar como servente de pedreiro.

    Passaram fome só até o dia em que Mirosmar e Emival, como a dupla Camargo e Camarguinho, descobriram que podiam ganhar dinheiro cantando na rodoviária. Arrumaram empresário, passaram vários apuros e um acidente matou Emival. Mirosmar parou de cantar. Welson, 11 anos mais novo, era um bebê. A história vai até a explosão de É o Amor.

    Segundo o diretor, cerca de quatro horas de material ficaram fora da edição final. Além de rechear o DVD de extras, há a idéia de fazer um seriado para a TV. Silveira, agora, é quem sonha: “Vamos começar a concorrer em festivais. Sinto que, pela sua brasilidade, o filme talvez chame atenção lá fora. É um drama humano que poderia ter acontecido em qualquer lugar do mundo”.

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