Os sonhos e as fantasias abordadas no clássico da literatura O Pequeno Príncipe, do francês Antoine-Exupéry, ultrapassam as fronteiras da palavra escrita e estréiam em Brasília em forma de ópera. São 19 atores, 40 crianças no coro e 60 músicos da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional em apresentação hoje, sábado e domingo, às 17h, na Sala Villa-Lobos.
Apesar das comemorações do Dia da Criança, o espetáculo é voltado para toda a família: “Essa é uma característica do autor, desenvolver um trabalho aparentemente infantil que atende a todas às idades”, informa a diretora do espetáculo, Lara Velho.
enredo O enredo é uma apresentação integral da obra clássica, lançada em 1943: “A minha idéia era fazer um CD com histórias para crianças e, de fato, fiz”, conta a diretora, que convidou o amigo Glauco Fernandes, da Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, para compor a trilha sonora. “Como o Glauco e o maestro Silvio Barbato são amigos, acabaram discutindo a idéia. Silvio se apaixonou pela iniciativa e sugeriu o espetáculo e a participação da orquestra”, explica Lara, que, com Silvio e Glauco, pretende levar a peça para o Teatro Municipal do Rio de Janeiro, no ano que vem.
A diretora começou a reunir a equipe para dar vida ao projeto. O pai, Paulo César Pereio, no papel do majestoso rei, integra o elenco formado, em sua maioria, por atores de Brasília: “Reuni uma equipe antiga com atores capacitados e prontos para encarar a correria de 15 dias de ensaio”, relata o diretor-cênico do espetáculo, J. Pingo, que ensaiou os atores das 8h às 23h, durante esse período.
Segundo ele, o espetáculo procura traduzir o imaginário do autor de forma útil: “Se no livro conseguimos sentir toda a magia, imagina com o auxílio de músicas, cenário e com a voz dos personagens”, antecipa Pingo.
dois atos A peça é dividida em dois atos: no primeiro o príncipe está no espaço sideral envolto a planetas, vividos por atores, que simbolizam as relações e a solidão dos adultos. No segundo, o príncipe chega à Terra. “Apesar de ser dividido, o cenário é único. O que modifica são as atuações em meio às crianças do coro, que participam das cenas”, descreve ele.
Pingo ressalta o profissionalismo do ator Bruno Bloch, que vive, no espetáculo, O Pequeno Príncipe: “Ele tem um enorme potencial. Apesar de só ter 11 anos é extremamente responsável”, considera o diretor-cênico. Bruno já viveu, no teatro, as aventuras do Menino Maluquinho. “Acredito que o ator com vontade, sensibilidade e inteligência é capaz de alcançar seus sonhos e esse é o caso do Bruno”, afirma.
Na opinião do diretor, o livro, traduzido em 118 idiomas, é uma autobiografia de Antoine-Exupéry: “Acho que ele faz uma crítica velada à sociedade da época, que estava em guerra, vendo o nazismo querendo tomar conta”.
Antes da estréia da ópera, no mesmo dia, às 14h, será realizada uma leitura encenada do texto do musical, no cinema do CCBB. O ator brasiliense Alessandro Brandão, caracterizado com figurino de aviador, papel que viverá na ópera, contará a história de maneira lúdica para comemorar o Dia da Crianças. A entrada é franca.
Serviço
Ópera O Pequeno Príncipe – baseada no clássico francês de Antoine-Exupéry. Hoje, sábado e domingo, às 17h, na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional Cláudio Santoro. Ingressos a R$ 15 (inteira) e R$ 7,50 (meia). Informações: 3310-7081.