Se o cinema existencialista tivesse um pai, com certeza esse seria o diretor italiano Michelangelo Antonioni. Ele falou como ninguém da solidão, da crise dos sentimentos e da incomunicabilidade dos seres humanos. E é a obra desse fabuloso diretor que será revista na mostra Antonioni Essencial, que entra em cartaz hoje no cinema do Centro Cultural Banco do Brasil.
Fruto de parceria entre o CCBB e o Instituto de Cultura Italiana de São Paulo, o evento irá exibir durante duas semanas dez longas e dois curtas-metragens fundamentais para a compreensão da trajetória do mestre italiano.
Antonioni rompeu com a narrativa e criou uma nova forma de filmar, recheada com um senso de análise e exatidão técnica. Ele foi também responsável por revitalizar o cinema europeu, criando o que mais tarde seria chamado de cinema existencialista.
São filmes que exibiram, de forma inédita, uma maneira de expressar visualmente os sentimentos. A programação inclui verdadeiras raridades, como o primeiro filme dirigido por Antonioni, o documentário Gente del Po, filmado em sua cidade natal, Ferrara, e o curta Nettezza Urbana, de 1948.
A mostra conta ainda com títulos, muitos deles polêmicos à época do lançamento, que foram responsáveis por verdadeiras revoluções estéticas e narrativas. Um deles é A Noite, um inquietante retrato da burguesia italiana, que ao lado de A Aventura e O Eclipse, integrou uma trilogia que impôs o nome de Antonioni entre os grandes diretores do pós-guerra. A programação conta com todos os títulos desta trilogia, além do antológico Blow-Up – Depois daquele beijo, uma obra-prima de técnica, que foi o maior sucesso da carreira do diretor.
A mostra acompanha o trabalho de Michelangelo Antonioni até meados da década de 1970, exatamente dez anos antes de o diretor sofrer o derrame que o deixou com problemas de articulação verbal até os dias de hoje. Mas Antonioni jamais deixou de filmar. Atualmente, aos 91 anos de idade, ele está em plena criação. Está realizando um documentário sobre Michelangelo, o célebre artista do Renascimento. O mestre também assina um dos episódios do filme coletivo Eros, feito sobre três contos que ele mesmo escreveu e que contará ainda com episódios assinados por Steven Soderbergh e Wong Kar-Wei. Eros deve chegar ao mercado mundial em 2004.