Humberto Mauro deixou sua marca na invenção do cinema brasileiro e em muitas das suas fases de afirmação. “O mais brasileiro dos diretores do cinema nacional” também foi capaz de criar um vínculo da cultura brasileira com o universal do mesmo modo que o fizeram Heitor Villa-Lobos, na música, Monteiro Lobato e Euclides da Cunha, na literatura, e Almeida Júnior, na pintura.
Com uma pesquisa abrangente e um amplo levantamento de informações, a autora Sheila Schvarzman (professora e historiadora do Departamento de Multimeios do Instituto de Artes da Unicamp) aborda desde os primórdios da obra de Humberto Mauro até o encontro com Adhemar Gonzaga, quando são definidas muitas das matrizes do cinema nacional.
Humberto Mauro e as imagens do Brasil mostra ainda a institucionalização desse cinema nos anos 30 e os projetos feitos em conjunto com Roquete Pinto, as relações com o governo varguista e o trabalho para o Instituto Nacional de Cinema Educativo (Ince). Além, é claro, de análises tanto de obras consagradas como Descobrimento do Brasil e Argila quanto dos filmes educativos e oficiais do Ince.
Trabalhando tanto com os aspectos técnicos quanto com os simbólicos do cinema, a autora percorre caminhos que nos mostram como a obra de Humberto Mauro contribui para a “formulação de uma imagem do Brasil no cinema e na construção de um cinema para o Brasil”. Neste sentido, estudar as contradições entre a obra de Humberto Mauro e o contexto histórico onde ela está inserida é também mergulhar no estudo da formação da identidade nacional. A figura de Humberto Mauro, talvez mais do que a de qualquer outro, reflete as possibilidades de um cinema nacional que focalize o seu povo com um olhar brasileiro.