Oficialmente, 30% das pedras preciosas negociadas no planeta são brasileiras. Quem informa é a designer Francesca Romana, italiana radicada no Brasil há 18 anos e curadora do livro Pedras Brasileiras , um belo apanhado sobre as principais gemas extraídas em território nacional, produzido com a fundamental colaboração do especialista Walter Leite.
Bem-encadernado e com excelente material ilustrativo e fotográfico, o livro traça uma trajetória da descoberta de mais esse nicho de riquezas brasileiras, que desde priscas eras acendiam a cobiça dos exploradores internacionais.
“É uma homenagem a joalheiros e designers que fizeram das pedras preciosas brasileiras parte de suas vidas”, resume Francesca Romana. Mas Pedras Brasileiras vai além, abordando aspectos históricos do uso das pedras preciosas pela humanidade – costume que remonta a séculos antes de Cristo – e traçando um panorama do frisson internacional que se deflagrou após a descoberta de que metais e gemas eram abundantes por aqui – particularmente, do século 16 em diante.
A primeira parte do livro é a que contém o resumo das minuciosas pesquisas. Na segunda, verbetes de 36 pedras deleitam os olhos do leitor. A terceira parte fecha bem o trabalho, com depoimentos de garimpeiros e entrevistas com os profissionais que, efetivamente, entendem muito do assunto abordado.
A edição, claro, é bilíngüe. Desnecessário dizer que o inglês é a segunda língua utilizada. Mas vale lembrar que é por meio do bom português que, em linhas e entrelinhas, torna-se possível dimensionar o mito de “Eldorado” que a América do Sul – em especial o Brasil – sempre representou aos olhos do chamado Primeiro Mundo.
Sob esse prisma, Pedras Brasileiras ganha teor de literatura complementar aos estudiosos da História. Destaca como foi importante para o desenvolvimento brasileiro, por exemplo, a incursão dos bandeirantes em busca de gemas. E também faz lembrar que não é pelos nossos belos olhos que os gigantes da economia se mostram tão gentis ao nos emprestar dinheiro.