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O aprendizado de que há lugar para todos

Arquivo Geral

19/07/2005 0h00

Devagarzinho, vão caindo os preconceitos quanto ao mundo gay. De uma só vez, três galãs – Eduardo Moscovis, Bruno Gagliasso e Marcelo Serrado – defendem na ficção personagens homossexuais, sem caricaturá-los. “Até então, na TV, o público só aceitava bem o homossexual caricato, com trejeitos que beirassem o humor”, observa Gagliasso. “Preferi trilhar outro caminho”.

Em América, ele é Júnior, rapaz que está descobrindo sua opção sexual. “Sou parado na rua, cumprimentado por mostrar que gays são pessoas normais”, comemora. Tão normais que ganham até torcida. “Até mesmo as mulheres torcem pelo Júnior”, revela Bruno. “Uma senhora veio falar comigo e disse: ‘Queria tanto que você ficasse com o Tião (Murilo Benício)’”!

Diante disso, é natural que aumente o assédio em cima do ator. Ele conta mais: “Rola cantada (de homem), mas normalmente é de uma forma sutil. Simplesmente mostro que não estou a fim, mas sem ser grosseiro. Digo isso da mesma maneira que falaria para uma mulher com quem eu não quisesse ficar”.

identificaçãoDu Moscovis diz ter recebido muitos gays que se identificavam com seu personagem no teatro. Em cartaz com o filme Bendito Fruto, no papel de um galã de novela homossexual, ele já experimentou o frisson de viver um gay no espetáculo Norma – que também vai virar filme. “Na peça, garotos de 14, 15 anos vinham falar comigo depois. Muitos caras diziam que aquela era a história deles. No filme, meu personagem namora um negro. É uma situação quase atípica, mostra uma certa classe média”. Até agora, ele conta, nunca recebeu cantada masculina. “Nem com as mulheres o assédio é explícito”, surpreende.

Para Marcelo Serrado, que gosta de sair para dançar com a mulher em boates gays, o assédio masculino é tirado de letra – mesmo agora, quando ele interpreta o assumido Carlos na peça O Rim, em cartaz no Rio. “Só uma vez o cara veio segurando meu braço, delicadamente”, lembra. “Saí pela tangente. Em geral eles são respeitosos. Nem na Parada Gay recebi cantada. Procurei fazer uma coisa sincera. Com personagens como gays e velhos, é preciso tomar cuidado para não cair no exagero”, ensina Serrado, que interpreta outro gay em Sob Nova Direção.

“Sem nenhum preconceito, sempre deixei claro que tenho minha sexualidade muito bem-definida”, explica Bruno Gagliasso. “Então, a maior parte dos gays já se aproxima sabendo disso”. O ator destaca que vem recebendo muito apoio por este seu trabalho.

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    19/07/2005 0h00

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    Em América, ele é Júnior, rapaz que está descobrindo sua opção sexual. “Sou parado na rua, cumprimentado por mostrar que gays são pessoas normais”, comemora. Tão normais que ganham até torcida. “Até mesmo as mulheres torcem pelo Júnior”, revela Bruno. “Uma senhora veio falar comigo e disse: ‘Queria tanto que você ficasse com o Tião (Murilo Benício)’”!

    Diante disso, é natural que aumente o assédio em cima do ator. Ele conta mais: “Rola cantada (de homem), mas normalmente é de uma forma sutil. Simplesmente mostro que não estou a fim, mas sem ser grosseiro. Digo isso da mesma maneira que falaria para uma mulher com quem eu não quisesse ficar”.

    identificaçãoDu Moscovis diz ter recebido muitos gays que se identificavam com seu personagem no teatro. Em cartaz com o filme Bendito Fruto, no papel de um galã de novela homossexual, ele já experimentou o frisson de viver um gay no espetáculo Norma – que também vai virar filme. “Na peça, garotos de 14, 15 anos vinham falar comigo depois. Muitos caras diziam que aquela era a história deles. No filme, meu personagem namora um negro. É uma situação quase atípica, mostra uma certa classe média”. Até agora, ele conta, nunca recebeu cantada masculina. “Nem com as mulheres o assédio é explícito”, surpreende.

    Para Marcelo Serrado, que gosta de sair para dançar com a mulher em boates gays, o assédio masculino é tirado de letra – mesmo agora, quando ele interpreta o assumido Carlos na peça O Rim, em cartaz no Rio. “Só uma vez o cara veio segurando meu braço, delicadamente”, lembra. “Saí pela tangente. Em geral eles são respeitosos. Nem na Parada Gay recebi cantada. Procurei fazer uma coisa sincera. Com personagens como gays e velhos, é preciso tomar cuidado para não cair no exagero”, ensina Serrado, que interpreta outro gay em Sob Nova Direção.

    “Sem nenhum preconceito, sempre deixei claro que tenho minha sexualidade muito bem-definida”, explica Bruno Gagliasso. “Então, a maior parte dos gays já se aproxima sabendo disso”. O ator destaca que vem recebendo muito apoio por este seu trabalho.

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