Alanis Morissette é uma hitmaker inveterada. Seu quinto álbum de carreira, So-Called Chaos (Maverick/Warner), reafirma o potencial da cantora e compositora canadense para criar temas marcantes ao mais básico estilo do pop/rock. Porém, não faz nada além disso. Alanis não desapontará os fãs com o novo disco – é daqueles para ouvir uma vez e já ficar com o refrão na cabeça –, mas apresenta um trabalho abaixo da média.
Após a estréia com o furacão Jagged Little Pill, em 1995, Alanis se refugiou na Índia, embarcou numa carreira mais intimista (no disco de 98, Supposed Former Infatuation Junkie) e mostrou certo amadurecimento com Under Rug Swept (2002). Mas o que havia de brilhantismo nesse trabalho anterior, está escasso no novo CD, que se prende a emplacar versos de fácil digestão e acaba por se mostrar enfadonho.
Alanis assina a composição e produção de todas as músicas (com uma mãozinha de seu guitarrista e baixista John Shanks), às quais acrescenta alguns leves temperos – o álbum tem suas novidades. Incrementa a fórmula dos hits Everything, Not All Me e Spineless com uma boa programação eletrônica de bateria e acerta ao escalar Paul Livingstone para solar à vontade em sua cítara na faixa Knees of my Bees.
Nos versos da faixa-título, com algumas referências ao Discoteque do U2, Alanis revela novamente seu fetiche de ficar nua em público, uma vez realizado ao protestar contra a censura durante uma cerimônia de premiação no Canadá. “I want to be naked running trough the streets (Eu quero estar pelada correndo pelas ruas)”, canta com rebeldia no refrão de So-Called Chaos. Antes ainda ela já havia revelado que gosta de tirar a roupa quando está entre amigos, “para que vejam realmente como sou”, disse à época.