Dirigido por Hector Babenco (de Carandiru), o filme O Passado é uma co-produção Brasil/Argentina baseada no romance do argentino Alan Pauls. O longa é protagonizado por Gael García Bernal (de E sua Mãe Também e Babel) que interpreta Rímini, um tradutor que termina uma relação de 12 anos com a esposa Sofia (Analía Couceyro). Os dois se conheceram na adolescência e passaram a morar juntos depois de um namoro.
Enquanto Rímini está disposto a começar uma nova vida, Sofia não se adapta bem à situação. Carrega o fardo de conviver com fotografias antigas e sofre com o divórcio. Desde o princípio, fica claro que ela ainda carrega sentimentos pelo parceiro, embora tente seguir em frente. O roteiro acompanha mais o personagem de Gael, com as novas conquistas, esperanças, desilusões e experiências que ele adquire depois de separado.
Sofia é uma eterna apaixonada. Ela cria um grupo de ajuda para mulheres que amam demais. Além de uma análise sobre o comportamento feminino, o filme também dedica alguns minutos ao estado de saúde do Rímini. O rapaz começa a se esquecer de palavras e frases inteiras de uma hora para a outra, o que é preocupante para quem trabalha com traduções.
O roteiro dramático revela o lado do amor que os filmes de romance evitam mostrar: a parte do sofrimento. O Passado pode ser definido como um melodrama sensível sobre relacionamentos humanos. Quando for assistir ao filme, deve se preparar para compartilhar uma incômoda dor-de-cotovelo que permeia boa parte das cenas. Nos aspectos técnicos, a fotografia bem cuidada se destaca, mostrando uma Buenos Aires melancólica. Algumas cenas do longa-metragem foram rodadas em São Paulo.
Vale a pena também observar a última colaboração de Paulo Autran para a telona. O ator, que faleceu no dia 12 deste mês, no filme, faz uma ponta como um divertido e atrapalhado professor de francês. O Passado reflete sobre relacionamentos afetivos e o modo como eles mudam a vida das pessoas, como diz um personagem a certa altura do filme: “Ninguém se separa. As pessoas se abandonam”.