A bactéria Pseudomonas aeruginosa é a grande inimiga dos pacientes com fibrose cística, uma vez que todos terminam por desenvolver colonização crônica e episódios repetidos de pneumonia pela bactéria.
Em função disso, há alterações importantes e irreversíveis da estrutura pulmonar, com deterioração da função respiratória e piora gradativa da qualidade de vida. Além disso, a Pseudomonas aeruginosa é capaz de causar pneumonia grave, resistente aos medicamentos, sendo esta uma das causas de morte de portadores da doença.
A colonização pulmonar por esta bactéria pode ser prevenida com uma nova vacina, desenvolvida na Suíça, que atualmente se encontra na Fase III de ensaio clínico, e que, no momento, vem sendo utilizada apenas experimentalmente.
Os resultados do ensaio clínico com a vacina já revelam sua eficácia, uma vez que 68% dos pacientes que a receberam continuam sem contrair a infecção durante os dez anos em que foram acompanhados, o que acontece com apenas 28% dos portadores da doença incluídos no grupo de controle da pesquisa que não receberam a vacina.
Vale ressaltar que as vacinas que haviam sido desenvolvidas antes desta não haviam demonstrado um aumento da produção de anticorpos de boa qualidade.
O imunologista Alois B. Lang, principal pesquisador da vacina, desenvolvida pelo laboratório suíço Berna Biotech, apresentou os mais recentes dados do trabalho, qualificados como “absolutamente surpreendentes”, durante o 11º Congresso Latino-Americano de Fibrose Cística e 10ª Jornada Brasileira de Fibrose Cística, que aconteceu de 28 a 30 de abril, no Rio.
O ensaio, desenvolvido com 25 pacientes imunizados e 25 não-imunizados, com idades entre 18 meses e 22 anos, revelou que a colonização bacteriana dos indivíduos vacinados também aconteceu de forma mais lenta do que naqueles que estavam incluídos no grupo de controle.
O ensaio também apontou que a colonização por Pseudomonas de fenotipo mucóide, um tipo de Pseudomonas que praticamente antecipa a perda da função pulmonar, é quatro vezes menor entre os vacinados.
Outros benefícios observados foram a conservação da função pulmonar e um melhor índice de massa corporal. “Os doentes vacinados têm uma melhor qualidade de vida”, afirmou Alois Lang.